Abaixo
estão listados os festivais anuais que eram
celebrados pelos povos pagãos germânicos.
Algumas dessas datas coincidem com a época
dos solstícios e equinócios, e normalmente
tem ligações com a agricultura e
fertilidade. Note que essas datas são
correspondentes ao hemisfério setentrional,
onde as estações do ano são invertidas em
comparação com as estações que temos aqui
no hemisfério meridional.
Alguns
desses festivais são normalmente conhecidos
pela palavra do idioma Nórdico (Old Norse) blót,
que significa “sacrifício”. Sacrifício não
necessariamente significa sacrifício de
sangue (i.e. animal, humano, etc.); alguns
sacrifícios da antiga Alemanha consistiam no
ato de depositarem tesouros (dinheiro) e armas
dentro de lagos ou pântanos.
Alguns
desses festivais são ainda celebrados pelos
cultos modernos, como os Noepaganistas,
Wiccans, bruxarias, etc.
DISABLÓT
O
Disablót ("sacrifício das dísir")
era um festival anual em honra das dísir,
realizado entre o fim do outono ou princípio
da primavera, era também chamado de disfest
("festa das dísir"). As dísir, ou
idesa (anglo-saxão), são seres mitológicos
representados pelas mulheres ancestrais, que
poderiam ser de ajuda sobretudo das mulheres,
principalmente na hora do parto.
FESTIVIDADE
DE VÁLI (14 de fevereiro)
Este
dia era uma comemoração dedicada ao deus Váli,
filho de Óðinn (Odin) e Rid. Vali é o deus que
vingou Baldr, matando seu irmão gêmeo, Hödr.
Váli é um dos sobreviventes do Ragnarök.
O
FESTIVAL DE OSTARA (21 de março)
O
festival de Ostara era celebrado no equinócio
de primavera, 21 de março no hemisfério
setentrional, quando o dia e a noite são de
igual duração. Ostara é uma deusa das
tribos germânicas não escandinavas, Ostara
é uma deusa da primavera e da fertilidade. O Christian
Easter ("Páscoa") derivou seu
nome de Eostre (o nome da deusa entre os
Anglo-Saxões), que é celebrado no mesmo dia
do festival de Ostara, mas a data foi mais
tarde mudada. Easter Sunday
("Domingo de Páscoa"), variando
entre 22 de março e 25 de abril, dependendo o
primeiro domingo de lua cheia, após o equinócio
de primavera.
A
tradição da moderna Páscoa, tem os ovos de
Páscoa, também vindos de costumes pagãos. O
festival de Ostara era a época que as crianças
decoravam os ovos com cores vibrantes. O
coelho era um animal sagrado para Eostre, o símbolo
da fertilidade. O ovo também simbolizava
fertilidade e nascimento da primavera. A
simbologia do ovo e do coelho também indicava
purificação.
NOITE
DE WALPURGIS (30 de abril)
A
véspera de maio coincidia com a antiga Noite
de Walpurgis alemã, porque marcava a última
noite de inverno. Esta é uma versão alemã
da véspera de Beltane dos Celtas. A véspera
de maio seria a última noite que Óðinn
ficou enforcado em Yggdrasill (a grande árvore
cósmica). Óðinn teve uma corda no pescoço
por nove noites, entre 22 de abril e 30 de
abril, como um sacrifício para adquirir o
conhecimento das nove runas poderosas.
A
véspera de maio marcava a época quando o espírito
do mundo vagava livre sobre a superfície da
terra, período que a bruxaria e a feitiçaria
são mais potentes. Após a meia noite,
fogueiras eram acessas para celebrar o começo
do verão (Dia de Maio ou Primeiro de Maio),
que também marcava o fim da Caçada Selvagem.
miðsumarsblót
(21 de junho)
O Miðsumarsblót
(midsumarsblot), isto é, o “sacrifício de
solstício de verão”, que coincide com o
dia mais longo do ano, em que temos assim a
noite mais curta. No hemisfério setentrional
acontece no dia 21 de junho.
FESTA
DE OUTONO (23 de outono)
Um
festival menor feito no dia do equinócio de
outono. Era um dia de comemoração da abundância
da colheita.
Vetrnætr
(31 de outubro)
Vetrnætr
(“noite de inverno”) marcava o começo do
inverno tão bem como o começo do Ano Novo,
de acordo com o calendário Nórdico. Os povos
Celtas chamavam esta noite de véspera de
Samhain, um festival de equinócio de outono.
Assim como os celtas, o povo costumava
celebrar esta noite acendendo grandes
fogueiras para combater os espíritos e demônios,
porque nesta noite eles estavam livremente
vagando pelo mundo. Era também está noite
que Óðinn supostamente liderava os espectros
de cavaleiros e cães de caça na Caçada
Selvagem. A Caçada Selvagem continuava
durante todo o inverno, culminando na noite do
Jol antes do fim do ano continuando até o dia
da véspera de maio (Noite de Walpurgis).
A
última noite de outubro é celebrada
modernamente por alguns países de língua
inglesa como Halloween (All Hallows’ Eve),
que é no Cristianismo a véspera do “Dia de
todos os Santos”, onde crianças vestem
fantasias, indo de porta em porta na vizinhança,
pedindo doce ou travessura (trick ou treat).
JOL/
ÁLFABLÓT (21 de dezembro)
O
Jol era o festival de solstício de inverno,
celebrado pelos povos germânicos e celtas
como o dia do Reveillon (passagem de ano).
Entre os celtas era conhecido por Yule. Era
comemorado com a troca de presentes. Era um
dia sagrado para Óðinn, Þórr (Thor)
e Freyr.
O
Álfablót ("sacrifício dos elfos")
se trata de outro nome do Jol, uma
grande festa de solstício de inverno, dos
mortos e da fertilidade. Nesta ocasião se
oferecia um grande sacrifício "por um
ano de fertilidade e paz", já que no
hemisfério norte, o solstício de inverno
marca o início de um novo ano.
Na
mitologia temos na Kormaks Saga (século
XIII), Komark que feriu Þorvardr (Thorvard),
e conta-se como Þordis (Thordis) aconselhou
Þorvardr a procurar os elfos para curá-lo,
pois a eles é atribuído este dom. Seguindo
então as recomendações dos elfos, Þorvardr
sacrificou um touro num altar. Primeiro abateu
o touro e espargiu seu sangue em torno do
altar, depois preparou a carne para o festim
dos elfos. E assim ficou curado do seu
ferimento feito por Komark.
Já
o Jol é a noite quando a “Caçada
Selvagem” tinha seu clímax. Óðinn
cavalga seu cavalo de seis pernas, chamado
Sleipnir. Liderando um bando de espectros de
cavaleiros e cães de caça através dos céus
noturnos. Na noite do Jol, crianças
costumavam colocar meias cheias de palha ou
feno do lado de fora das portas de suas casas
para Sleipnir comer.
Visto
que o Jol marca o dia mais curto do ano
(portanto o solstício de inverno), assim a Caçada
Selvagem é mais intensa, porque é na noite
mais longa do ano. O Cristianismo adotou
alguns dos costumes pagãos do Jol no dia de
Natal (25 de dezembro), como a troca de
presentes, a decoração de pinheiros (árvore
de Natal). São Nicolau ou Papai Noel e suas
renas são popularmente conhecido hoje em dia,
e representam Óðinn e Sleipnir da Caçada
Selvagem.
A
versão romana deste dia de Reveillon foi
conhecida como Saturnalia (17-24 de dezembro).
ReferênciaS
BIBLIOGRÁFICAS:
BRØNDSTED,
Johannes. (sd) Os Vikings: História de uma
Fascinante Civilização, tradução de
Mercedes Frigolla & Claudete Agua de Melo,
São Paulo, Hemus Editora.
JACOBSEN,
Bent Chr. ONP:
A Dictionary of Old Norse Prose, página
da web, endereço eletrônico: http://www.onp.hum.ku.dk/webmenue.htm
JOE,
Jimmy. (1999-2003) Timeless Myths
(Norse Mythology), página da web, endereço
eletrônico: http://www.timelessmyths.com/norse/
SPALDING,
Tassilo Orpheu. (1973) Dicionário
de Mitologia germânica, eslava, persa,
indiana, chinesa, japonesa, São Paulo,
Editora Cultrix.
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criada em 09/06/2004. |
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