São
desconhecidos os nomes dos autores das baladas
édicas. Entretanto, é certo que eram poetas
populares e não Skálds (autores das sagas).
Estes faziam de sua arte meio de vida,
colocando-se a serviço da nobreza, da mesma
maneira que os poetas palacianos da Idade Média.
A simples comparação mostra a diferença
entre uns e outros. Os Skálds, mais eruditos,
apresentam a tendência de desvirtuar a antiga
aliteração, que combinam com rimas e assonâncias.
Em oposição, os poetas populares nunca se
esmicuem nos fatos que relatam, criando uma
obra objetiva por excelência. E ao
encontrarmos em uma ou outra passagem da Edda
o tratamento da primeira pessoa, podemos
verificar que o poeta está se substituindo a
um de seus personagens. Por isso, as baladas
édicas constituem poesia sui-generis,
pois são mais ordenados que as Sagas, porém
menos eruditas que a obra Skáldica.
Os
poemas da Edda são bem mais curtos, mais
simples, mais definidos e espontâneos, mesmo
quando tratam de assuntos burlescos e trágicos.
As figuras literárias que empregam com mais
freqüência são as repetições e as comparações,
enquanto os Skálds recorrem ao artificialismo
dos tropos, perífrases e metáforas, ou seja,
os chamados kenningar, (em lugar de
vento, preferem "dono-dos-bosques",
"irmão-do-fogo"; em lugar de sol,
dizem "irmão-da-lua",
"fogo-do-ar"; em lugar de língua,
empregam "espada-da-boca" ou
"remo-da-boca", e assim por diante),
a ponto de tornar esta ou aquela estrofe
completamente obscura.
Somente
duas baladas édicas, a Hýmiskviða
e a Helgakviða Hundingsbana I
mostram o recurso do kenningar
abordando de longe este uso Skáldico. Na
balada Alvíssmál estes são
os objetivos de expressões didáticas
ao cultivar imitações para enumeração de
dicções de “nomes desconhecidos” e kenningar
para que objetos comuns possam ser designados.
ReferênciaS
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tradução, apresentação e notas de Marcelo
Magalhães Lima, Rio de Janeiro, Numen Editora. ISBN
85-7260-002-7
| Página
criada em 28/02/2003. |
| Última
modificação em 29/04/2004. |