A
sorte reservou a Islândia
o papel de preservar a tradição mitológica
dos povos germânicos, quando Roma empreendia
intensa campanha de cristianização desses
povos, navegadores noruegueses do século IX
abandonaram o continente para iniciar a
colonização da ilha distante, levando
consigo todo o "substractum" das
velhas divindades pagãs, que lá iriam
encontrar abrigo seguro contra as influências
do novo credo. É certo que no ano 1000 o
cristianismo havia chegado a Islândia,
tornando-se mesmo religião muito professada,
mas os missionários católicos não
precisaram de abrir luta contra a antiga
religião, uma vez que o próprio povo, de
acordo com suas crenças, já anunciava o que
mais tarde ficou sendo conhecido por "Crepúsculo
dos Deuses".
Foi
através de duas obras literárias islandesas,
conhecidas como Edda, que foram
escritas no século XIII, que essas tradições
foram preservadas, sendo que ambas Eddas
são por isso considerados os mais importantes
documentos da mitologia germânica,
constituindo-se nos “textos sagrados” por
excelência, podemos considerar tratarem-se de
verdadeira “Bíblia Germânica”. Porém
uma delas, escrita em prosa por Snorri
Sturluson é conhecida por Edda em Prosa, Edda Menor e Edda de Snorri. Enquanto o outra,
constituída de vários poemas de autores anônimos,
tem as seguintes denominações: Edda em
Verso, Edda Maior e Edda Poética.
A
palavra Edda
O
significado do termo Edda perdeu-se com
o passar dos séculos. No Codex Upsaliensis
(Edda em Prosa), a palavra aparece pela
primeira vez, sem qualquer explicação ou
pista para a compreensão de seu significado.
Após o exaustivo trabalho de estudiosos,
somente três hipóteses se apresentam com
certo fundamento e credibilidade.
A
hipótese mais considerada na atualidade é a
do islandês Árni Magnússon, que no século
XVIII, identificou a palavra Edda como
uma variação do termo óðr, do
islandês antigo (Old Icelandic). Óðr significa
"poema" ou "poesia", e por
sua vez é relacionada com a palavra latina vates,
que possui o sentido de "poeta". De
certa forma esta é uma teoria considerável,
se levarmos em conta o fato de que a segunda e
a terceira partes da Edda em Prosa estão
intimamente relacionadas com o estudo
poético, e a Edda Poética, como o nome
sugere, é composta inteiramente por poemas.
Eirikr
Magnússon, que acreditava que Snorri usara os
manuscritos do Codex Regius (Edda
Poética) para compor seu trabalho, possuía
uma outra teoria, afirmando que a palavra Edda
teria sua origem no termo Oddi, nome da
região no sul da Islândia onde Snorri havia
sido criado até os dezenove anos pelo goði
do local, Jón Loftsson. É possível que a
palavra Oddi esteja relacionada com o
nome do deus Óðinn (Odin). Dessa forma, o
título Edda significaria "O Livro
de Oddi", talvez como uma homenagem do
autor ao local onde tivera sua educação, sua
infância e sua adolescência.
O
poema fragmentado, provavelmente composto no
século XIII por noruegueses residentes na
Irlanda, o Rigsþula ("A Balada de
Rig") apresenta, em algumas de suas
estrofes, a palavra Edda com o sentido
de "bisavó". Por essa razão,
alguns estudiosos mantêm levantada a
hipótese de que o título Edda teria
significado de "histórias contadas pelas
bisavós" ou mesmo "livro dos
antigos". Porém, esse é um poema
posterior à obra de Snorri e a do Codex
Regius (apesar de integrar a Edda
Poética), o que leva muitos a considerarem
essa terceira hipótese pouco provável.
ReferênciaS
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tradução, apresentação e notas de Marcelo
Magalhães Lima, Rio de Janeiro, Numen Editora. ISBN
85-7260-002-7
| Página
criada em 28/02/2003. |
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modificação em 15/06/2004. |