A
Edda em Prosa é trabalho de Snorri Sturluson
(1179 – 1241) político, historiador e poeta
islandês, que o intitulou simplesmente Edda.
A Edda em Prosa foi escrita no princípio do século
XIII, provavelmente por volta 1220. Na época
a Islândia sofria um processo de transição
social que levou o país do paganismo ao
Cristianismo. Snorri, então, um stórgoði
cristão, que exercia o principal tribunal da
ilha, percebeu a dificuldade dos jovens skálds,
tanto na metrificação dos versos como na
compreensão dos kenningar, espécie de
circunlóquio característico da poesia nórdica
antiga. Snorri sabia que a tradição oral
estava agonizando no ambiente cristão e, se
nenhuma atitude fosse brevemente tomada, não
mais sobreviveria ao tempo.
A
Edda em Prosa foi dividida em três partes,
narradas de forma não linear: Gylfaginning
(“O Engano de Gylfi”), Skáldskaparmál
("A Linguagem Poética"), e Háttatal
("Um Tratado de Métrica"). Há também
um prólogo, que muitos acreditam não se
tratar de um trabalho de Snorri, mas sim uma
adição cristã posterior a obra.
No
prólogo vemos muitas referências ao mundo clássico
da mitologia greco-romana, e os deuses são
vistos como um povo descendente dos troianos,
sendo o nome da principal família divina do
panteão germânico referente à origem dessa
família, a Ásia, portanto
Æsir.
O
Gylfaginning é particularmente
interessante porque contêm muito dos mitos
germânicos acerca da criação (cosmogonia
germânica), contos sobre os deuses, os
gigantes e os anões, e por fim o Ragnarök
(escatologia germânica). Sem dúvida uma das
mais belas narrativas da Idade Média.
No
Skáldskaparmál, Snorri intenta
exemplificar e explicar detalhadamente os kenningar
mais utilizados nos versos antigos. Mas, além
disso, há passagens mitológicas, como do herói
Sigurðr (Sigurd) e os Niflungar (Nibelungos),
que é similar ao encontrado na Völsunasaga.
E
por fim o Háttatal, que se trata de um
longo poema heróico sobre o rei Hákon e o
duque Skúli Barðarson, com notas do autor
sobre as variações da métrica utilizada no
poema, indicando como deve ser composto um
panegírico.
Snorri
também é autor de três dos mais famosos
livros islandeses: a Heimskringla Saga,
a Egils Saga-Grímssonar e a Ólafs
inn helgi Saga. A Heimskringla, que
é a história dos reis da Noruega, faz menções
aos mitos germânicos na primeira parte
chamada Ynglinga Saga, que conta que os
deuses germânicos seriam homens mortais e,
assim, os primeiros governantes da Noruega.
ReferênciaS
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tradução, apresentação e notas de Marcelo
Magalhães Lima, Rio de Janeiro, Numen Editora. ISBN
85-7260-002-7
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