Mitologia Germânica ANO IV
   

  

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Funeral de Baldr
Andrei Bressan
Óleo sobre tela, 2006

   

As HQs da Marvel com personagens super-heróis como “O Poderoso Thor”; as famosas fabulas infantis dos irmãos Grimm, como "Branca de neve e os sete anões"; os livros de Tolkien, como "O Senhor dos Anéis"; além da música de Wagner, e bandas de Hard Rock e Heavy Metal, e por fim a poesia de Goethe. Todos são alguns exemplos de influência da rica mitologia Germânica, com todas essas referências aos deuses, anões, gigantes, dragões, elfos e outros seres fantásticos.

No centro deste universo mitológico fica a morada dos  deuses, Ásgarðr (Asgard), onde o poderoso Óðinn (Odin) tem seu grande palácio Valhöll (Valhalla),e seu trono Hliðskjalf (Hlidskialf), de onde ele pode contemplar toda a criação. Este céu dos deuses é separado da terra, Miðgarðr (Midgard), pela ponte Bifröst, o trêmulo arco-irís; o disco da terra é cercado pelo grande oceano, casa da serpente Jörmungandr, no centro está a árvore freixo do mundo, Yggdrasill, que espalha suas raízes por toda a terra, e nas praias mais distantes estão as montanhas dos gigantes, Jötunheimr, onde se situa a cidadela Útgarðr (Utgard). Sob o disco da terra está  Hel, o "palácio dos mortos".

Neste universo mitológico temos a criação e o fim do mundo, a batalha dos deuses e dos gigantes, o panteão germânico, com suas duas principais categorias de deuses: os Æsir e os Vanir, porém, os deuses não são eternos; hão de morrer, como todos os demais seres, vítimas de sua própria condição; esse melancólico fim ficou conhecido através da música de Wagner como o “Crepúsculo dos deuses”, Ragnarök ("Destino dos deuses") na língua Nórdica (Old Norse).  

  

Mitologia Nórdica ou Germânica?

  

Para esta atualização, preferimos o termo Mitologia Germânica em detrimento de Mitologia Nórdica, pois na Academia se utiliza basicamente o primeiro, que engloba desde os mitos dos primeiros germanos até os Vikings. Setentrional e Meridional, como estava dividido na versão anterior do Valhöll, segundo uma terminologia adotada por Marcelo Magalhães Lima em sua tradução da Edda em Prosa, é praticamente inexistente, mas na realidade não é errônea, assim como mitologia Nórdica, Escandinava e Viking, mas pela inclusão das Eddas (Islândia), Das Nibelungenlied (Alemanha), Völsungasaga (Noruega), Beowulf (Inglaterra), etc., todas no mesmo lugar, a única terminologia que une todas é Mitologia Germânica.

Inclusive, para se estudar a mitologia dos germanos do período romano, são utilizadas as fontes islandesas (nórdicas), e apesar de existir algumas diferenças, elas são contextualizadas. As línguas e alguns padrões da cultura foram se modificando com o tempo, mas o que se preservou de maneira geral foi a religião e a mitologia, antes de Cristo até a Idade Média. Por isso, a maioria dos acadêmicos que se dedicam ao estudo da mitografia, sejam dos Germanos da época romana, Vikings, ou Anglo-Saxões da época das migrações, etc., todos sempre se utilizam do termo Mitologia Germânica.

    

Fontes Históricas

  

A principal fonte da mitologia Germânica são as Eddas islandesas, a Edda Poética e a Edda em Prosa, além é claro as sagas, como por exemplo, a Völsungasaga ("A Saga dos Volsungos"), poesia da Islândia, escrita em forma de prosa na Noruega, no século XIII. A Þiðrekssaga ("A Saga de Thidrek"), de origem islandêsa, que também se conservou através de uma tradução norueguesa dos fins do século XIII. O assunto se relaciona com o do épico Das Nibelungenlied ("A Balada dos Nibelungos"), a maior epopéia alemã, e também com a lenda de Wieland (Völundr em Old Norse). Ambas embora tenham surgido nas margens do Rio Reno (Alemanha), difundiram-se rapidamente entre os povos escandinavos, encontrando suas primeiras formas escritas na Edda Poética, que assim passou a ser o veículo mais eficiente para transmiti-las às gerações posteriores.

Junto com esses documentos, deve-se incluir o poema anglo-saxão Beowulf, que apesar de toda influência do Cristianismo, faz alusão aos mitos germânicos em várias de suas passagens. As Gesta Danorum, de autoria do escritor dinamarquês Saxo Gramaticus, é um conjunto de nove livros escritos em latim, que contam a "história" da Dinamarca remotando suas origens mais remotas, baseando-se nos mitos germânicos. E ainda temos os relatos de outros povos sobre os Germanos, como a obra do historiador Romano Tacitus, chamada Germânia, e o manuscrito do Árabe Ibn Fadlan.

Todos esses documentos históricos, que nós conhecemos, foram escritos poucos séculos após o início da cristianização do norte da Europa. Há muita pesquisa tentando discernir a verdadeira antiga religião praticada pelos povos desses países. Portanto, considerando qualquer influência do Cristianismo que possa haver, a mitologia Germânica nos apresenta um mundo de variedades onde se vê semelhanças e paralelos com outras tradições mitológicas, como a relação óbvia com os mitos greco-romanos, já que em ambos os casos existe uma origem comum na antiga religião dos Indo-Europeus.

   

   

OBJETIVO>>

 

 

Página criada em 28/02/2003.
Última modificação em 02/10/2006.

 

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