As
Influências da Mitologia Germânica em Tolkien
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“Se
todas as cavas do mundo enchemos
com elfos e duendes, se fizemos
deuses com casas de treva e de luz,
se plantamos dragões, a nós conduz
um direito. E não foi revogado.
Criamos tal como fomos criados.”
Mythopoesia
(fragmento), J.R.R.Tolkien |
O aclamado criador da chamada alta fantasia John
Ronald Reuel Tolkien, filólogo e escritor, segundo
conta David Day em seu interessante livro The
Ring of Tolkien (“O Anel de
Tolkien”), que quase todas as lendas
relacionadas com anéis são provenientes da
mitologia germânica. Assim “O Senhor dos Anéis”,
seu mais famoso livro, também deve ser, o que
não é de se estranhar, já que Tolkien era um
grande conhecedor desta mitologia, havendo em
seus livros maior referência desta do que de
qualquer outra.
Essa
influência começa pelas próprias línguas e
alfabetos inventados e desenvolvidos pelo
Professor Tolkien, por exemplo, o Cirth foi
baseado no Fuþark, o alfabeto rúnico germânico.
Algumas das runas de Tolkien chegam a ser as
mesmas, ipsis literis, outras diferem
muito pouco. Como para os povos germânicos
as runas de Tolkien também são dotadas de
uma certa “magia” e “mistério”,
exatamente o significado da palavra runa. Em
Tolkien é o alfabeto da língua dos anões,
que eles fazem questão de “esconder”
guardando os segredos de sua língua dos
outros seres, fazendo uso aberto apenas para títulos
de propriedade, túmulos, etc., assim como se
acreditava que as runas eram usadas pelos germânicos.
Evidências modernas mostram que as runas germânicas
também eram usadas para textos e narrativas
mais complexas.
Várias
das histórias presentes nos livros de Tolkien
são parcialmente ou inteiramente baseadas em
lendas e sagas da mitologia germânica, como
na Quenta Silmarillion (O Silmarillion) a
narrativa de Túrin Turambar, profundamente
baseada na lenda do herói Sigurðr (Sigurd)
(Siegfried, na saga Das Nibelungenlied),
das baladas édicas e das sagas, o herói que
foi instruído quando jovem pelo anão Regin
(Alberich, na saga Das Nibelungenlied), conquistou um fabuloso tesouro e matou o dragão Fafnir. Na
narrativa de Tolkien, Túrin foi em sua
juventude instruído pelo anão, Mîn,
também foi possuidor de grande tesouro e,
matou o dragão Glaurung.
Na Edda Poética
e na Völsungasaga ("A Saga dos
Volsungos"),
temos a espada Noþung (Nothung)
(Thirfing,
na saga Das Nibelungenlied), oferecido
pelo próprio deus Óðinn (Odin) a Sigmundr,
porém mais tarde o próprio deus supremo foi
o responsável por quebrar a espada, quando
surgiu em um combate diante do herói, seus fragmentos foram caldeados
(reforjados), e uma nova espada foi feita,
chamando então Gram (Balmung no
Das Nibelungenlied) e herdada
pelo famoso filho do herói, Sigurðr, que usando a espada tornou-se
rei dos Niflungar (Nibelungos). Igualmente
vemos nos romances de Tolkien Narsil, a
espada de Elendil que se quebrou quando este
morreu em combate com Sauron; dos fragmentos
ela foi novamente forjada para seu herdeiro,
Aragorn, e recebeu o nome de Andúril,
com a qual este conquistou o reino de Gondor.
Por
fim, o próprio Um Anel, pode ser
considerado comparado com o anel Draupnir,
que é um anel de poder, e como é relatado na
Edda
e nas sagas foi o causador do ciclo da maldição
do ouro, sobre a casa dos Burgundios, portanto
a principal peça de intriga que compõe essas
narrativas, do mesmo modo que Tolkien faz em
“O Senhor dos Anéis” com o Um Anel.
A
seguir clicando nos títulos dos tópicos
relacionados, saiba mais um pouco
dessas influências da mitologia germânica na
obra de J.R.R. Tolkien.
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