Mitologia Germânica ANO II

O Começo do Fim

   

O assassinato de Baldr
C. Eckersberg
Óleo sobre tela, 1840
Statens Museum fur Kunst, Copenhagen

 

Baldr foi acometido de grande pesadelos, estes indicavam que sua vida corria perigo e quando ele comentou isto com os Æsir eles se reuniram em conselho, e juntos decidiram requerer imunidade de Baldr para todo o tipo de perigo, e Frigg recebeu o solene juramento de que nada iria atingir Baldr. 

Quando isso foi confirmado, criou-se um entretenimento, colocaram Baldr no centro da assembléia e os Æsir, jogavam-lhe objetos e o golpeavam, já que nada lhe acontecia. Baldr, em cada ocasião, saía ileso. Porém quando Loki viu aquilo, se sentiu atingido. Transformou-se em uma mulher, e dirigiu-se a Fensalir, morada de Frigg. A deusa, ao ver esta mulher, perguntou se ela sabia se os Æsir estavam em assembléia. A mulher respondeu que todos atacavam o deus Baldr, e que este sempre saia ileso. Então Frigg disse: "Armas e madeiras não o machucariam. Pois todas as coisas  estavam sob juramento de não machucá-lo". Então, perguntou a mulher: "Pegastes juramento de todas as coisas para que estas não machucassem Baldr?". Frigg contestou: "Exceto um broto que cresce ao oeste do Valhöll (Valhalla). Se chama Muérdago, achei-o demasiadamente jovem para exigir que prestasse juramento". 

Então a mulher desapareceu. Porém Loki procurou o Muérdago o arrancou e dirigiu-se a Assembléia. Encontrando lá o deus Hödr, o Æsir cego, que estava parado na borda do círculo de concorrentes. Loki se aproximou e perguntou: "Por que não está disparando objetos contra Baldr?". Hödr contestou: " Porque não posso ver onde Baldr está e além do mais não tenho armas". Contudo disse-lhe Loki: "Se queres seguir os exemplos dos outros te mostro onde está Baldr e arranjo-lhe uma lança". Hödr pegou a lança com o Muérdago e com a ajuda de Loki coloco-a em direção a Baldr. Está foi arremessada diretamente para ele e atingiu seu coração, Baldr caiu morto. Os deuses, profundamente tristes, se reuniram em torno de Frigg, mãe de Baldr. Frigg Falou: "Quem, entre todos os Æsir, irá a Hel para tratar da devolução de Baldr, oferecendo-lhe alguma recompensa para que esta o devolva a Ásgarðr (Asgard)?". 

              

Hermóðr (Hermod) enviado a Hel
(desculpe, sem informação)

    

Hermóðr (Hermod) o valente, filho de Óðinn (Odin), tomou a Sleipnir, o corcel de oito patas de seu pai, e empreendeu-se nesta travessia, os deuses colocaram o corpo de Baldr em um navio chamado Hringhorni, o maior de todos, para iniciar o funeral do deus morto. No funeral estavam Óðinn, seus corvos Hugin e Munin, as Valkyrjor (Valquírias), Frigg, Freyr conduzindo seu carro puxado pelo javali Gullinbursti. Heimdallr e o corcel Gulltopp, Freyja e os gatos. Também compareceram os Gigantes Gelados e os Gigantes das Montanhas. O navio foi elegantemente decorado com coroas de flores, armas e objetos de cada um dos deuses. Depois os Æsir, um a um passaram a dar o último adeus a Baldr. Quando chegou a vez de Nanna, mulher de Baldr, uma dor muito forte partiu seu coração e ela caiu morta ao lado de seu esposo. Os deuses colocaram Nanna junto a Baldr, para que ela o acompanhasse até mesmo na morte. Ato seguido, como símbolo do sonho eterno, rodearam os defuntos deuses com espinhos. 

Quando Óðinn aproximou-se para dar o último adeus deixou como oferenda seu precioso anel Draupnir, sussurrando misteriosas palavras nos ouvidos de Baldr. Então a giganta Hyrrokin, a única com força suficiente para empurrar o navio, empurra-o com um impulso tão forte que os troncos que estavam encostados cederam sobre a pira funerária. Þórr (Thor), acertou com seu martelo Mjöllnir para consagrar a pira. 

       

Baldr em sua pira funerária
(desculpe, sem informação)

    

Hermóðr, durante nove dias e noites, cavalgou os vales obscuros e profundos, para chegar onde estava Baldr. Disse então a Hel que desse a Baldr a possibilidade de retornar a Ásgarðr junto com ele, dada a grande dor e luto reinantes entre os Æsir. Disse-lhe Hel: "Para provar que Baldr é um ser amado, todas cada uma das criaturas e objetos, vivos ou mortos, devem proclamar sua dor e pena. Só assim Baldr poderá voltar a Ásgarðr. Porém se uma só criatura ou objeto não o fizer Baldr permanecera aqui comigo". Hermóðr regresso esperançado a Ásgarðr, para comunicar a notícia a Frigg. Ao tomar conhecimento a deusa tratou de obter lágrimas e penas de todas as criaturas e coisas, vivas e mortas, porém uma giganta de nome Þokk (Thokk), que era Loki disfarçado novamente, não correspondeu as suas expectativas e não mostrou pena alguma. A tarefa de devolver Baldr de volta a Ásgarðr havia fracassado, e assim tem início, como conseqüência, o Ragnarök.   

      

<<BRISINGAMEN RAGNARÖK>>

  

ReferênciaS BIBLIOGRÁFICAS:

 

HOLLANDER, Lee M. (1928) The Poetic Edda, Texas University Press.  

JACOBSEN, Bent Chr. ONP: A Dictionary of Old Norse Prose, página da web, endereço eletrônico: http://www.onp.hum.ku.dk/webmenue.htm

Lysator (1996-2003) Edda Sæmundar - in icelandic, In:_______Project Runeberg, página da web, endereço eletrônico: http://www.lysator.liu.se/runeberg/eddais/index2.html

_______ (1995-2003) Eddan. De nordiska guda- och hjältesångerna, In:_______Project Runeberg, página da web, endereço eletrônico: http://www.lysator.liu.se/runeberg/eddan/

STURLUSON, Snorri. (1993) Edda em prosa: textos da Mitologia Nórdica de Snorri Sturluson, tradução, apresentação e notas de Marcelo Magalhães Lima, Rio de Janeiro, Numen Editora. ISBN 85-7260-002-7

         

 

Página criada em 28/02/2003.
Última modificação em 07/06/2004.

         


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