Mitologia Germânica ANO II

Freyja e o Brisingamen
J. Penrose
Óleo sobre tela, 1890

 

Todos os dias, Freyja, a deusa do amor, brincava e fazia travessuras nos campos. Um dia ela deitou para descansar e enquanto ela dormia, Loki, o astuto, o travesso, o mexeriqueiro dos deuses, foi espiar o brilho do Brisingamen, formado sob Galdra, sua constante companheira. Silencioso como a noite, Loki moveu-se em direção à deusa que dormia e, com seus leves dedos, removeu o colar prateado de sua branca nuca. Em seguida, Freyja despertou e percebeu imediatamente sua perda. Apesar de Loki mover-se com a velocidade dos ventos, ela o viu ao longe e correu atrás, porém ele já havia pego a barcaça para a Niflheimr. Freyja entrou em desespero. A escuridão a envolveu para ocultar suas lágrimas. Grande foi sua angústia, toda luz e toda vida juntaram-se a ela em sua ruína. 

Para todos os cantos foram enviados espiões em busca de Loki, mesmo sabendo que eles não o encontrariam. Pois quem dentre eles, exceto os deuses e o travesso Loki, poderia descer a Niflheimr e dali retornar? Devido a isto, ainda fraca pelo desgosto, a própria deusa do amor encheu-se de si e desceu a Niflheimr em busca do Brisingamen. Atravessou os portais para a barcaça e apesar de reconhecida passou. A multidão de almas que ali se encontravam clamaram prazerosamente ao vê-la e, mesmo sem que ela percebesse, lamentavam a perda de sua luz. O infame Loki não deixou nenhuma trilha a ser seguida, mesmo sendo visto em toda parte. Todos aqueles com os quais a deusa conversava diziam-lhe com firmeza: "Loki não portava jóia alguma quando passou por aqui". Então, onde teria ele a escondido? Desesperada, Freyja o procurou por uma Era.  

  

Freyja com o Brisingamen em sua carruagem
(desculpe, sem informação)

  

Hearhden, o poderoso ferreiro dos deuses, não conseguia descansar devido o lamento das almas pelo pesar de Freyja. E saiu a passos largos de sua ferraria, a fim de achar a causa do lamento. Então ele viu onde o mexeriqueiro Loki depositou a colar prateada: sobre a rocha diante de sua porta. Agora tudo estava claro! E quando Hearhden tomou posse do Brisingamen, Loki apareceu diante dele, sua face estava selvagemente raivosa. Apesar disto, Loki não atacaria Hearhden, pois este era um poderoso ferreiro cuja força era conhecida além de Niflheimr. Loki usou de todos os seus truques e trapaças para pôr novamente suas mãos sobre a colar. Mudou de forma; dardejou daqui para ali; tornou-se invisível e então visível. Mesmo assim não conseguia tapear o ferreiro. Cansando da luta, Hearhden tomou sua poderosa clava e então colocou Loki para correr.

Grande foi o regozijo de Freyja quando Hearhden colocou o Brisingamen novamente em seu pescoço. Grandes foram os choros de prazer oriundos de Niflheimr. Grandes foram os agradecimentos que Freyja a todos os homens e deuses que ajudaram no retorno de Brisingamen. Até que Hel, deusa dos reinos subterrâneos, apareceu diante de Freyja, acompanhada por Loki, dizendo à deusa que ela não poderia deixar Niflheimr sem pagar um tributo. Freyja mais uma vez caiu em desespero e disse a Hel que nada possuía. Porem Loki disse que a deusa portava o Brisingamen em torno de seu pescoço. Freyja soluçou e chorou, dizendo que jamais desistiria de sua jóia. Hel então disse que ela deveria dividir o Brisingamen com Loki: cada um passaria metade do ano com a jóia e somente assim Freyja poderia sair de Niflheimr. Freyja chorou e tentou de todas as formas não dividir sua jóia com Loki, porém após algum tempo acabou concordando, dizendo que permitiria que ele o portasse por seis meses. 

A partir de então, o Brisingamen passou a ficar com Loki por metade do ano e, neste período, Freyja, angustiada, cai novamente em desespero, trazendo mais uma vez a sua volta à escuridão para esconder suas lágrimas, e uma vez mais toda luz, toda vida e todas as criaturas juntam-se a ela em seu terrível destino. É por isso, então, que na metade da roda do ano, quando Loki toma o Brisingamen e Freyja fica desesperada, a escuridão desce e o mundo torna-se frio e gélido. E na outra metade, quando Freyja recebe novamente sua jóia, não havendo limites para seu regozijo, a escuridão é substituída pela luz e o mundo torna-se quente mais uma vez.  

     

<<ÚTGARÐRLOKI BALDR>>

  

ReferênciaS BIBLIOGRÁFICAS:

 

HOLLANDER, Lee M. (1928) The Poetic Edda, Texas University Press.  

JACOBSEN, Bent Chr. ONP: A Dictionary of Old Norse Prose, página da web, endereço eletrônico: http://www.onp.hum.ku.dk/webmenue.htm

Lysator (1996-2003) Edda Sæmundar - in icelandic, In:_______Project Runeberg, página da web, endereço eletrônico: http://www.lysator.liu.se/runeberg/eddais/index2.html

_______ (1995-2003) Eddan. De nordiska guda- och hjältesångerna, In:_______Project Runeberg, página da web, endereço eletrônico: http://www.lysator.liu.se/runeberg/eddan/

SKEGG'S EDDA (sd) Brisingamen, página da web, endereço eletrônico: http://www.thorshof.org/brisskeg.htm

THE NECKLACE OF BRISINGAMEN (sd) Brisingamen, página da web, endereço eletrônico: http://www.geocities.com/phantom_555_2000/necklace.html

THORSHOF-TALES (sd) Brisingamen, página da web, endereço eletrônico: http://www.thorshof.org/brising.htm

           

 

Página criada em 28/02/2003.
Última modificação em 07/06/2004.

         


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