| Ökuþórr,
þórr
(Thor) das carruagens |
| (desculpe,
sem informação do autor) |
| Ilustração
(desculpe, sem informação da data) |
| Para a tradução sueca da Edda Poética (Fredrik
Sander, 1893) |
De
þjálfi
e Röskva
Esta
história iniciou-se quando Ökuþórr
(“Thor das carruagens”) se encontrava em
uma longa jornada, com seus cavalos e sua
carruagem, e com ele o deus a que chamam Loki.
Quando, em um entardecer, chegaram a um
fazendeiro, pediram-lhe albergue para uma
noite. Ao anoitecer, þórr
(Thor) foi até seus cavalos e chacinou-os
arrancando-lhes as peles e colocando-os em uma
caldeira. Quando ficaram cozidos, þórr
e seu companheiro se sentaram para a refeição
e convidaram o fazendeiro, sua esposa e seus
filhos a acompanhá-los. O filho do fazendeiro
era chamado þjálfi
(Thialfi), e a filha, Röskva.
þórr
retirou as peles do fogo e disse ao camponês
e sua família que depositassem os ossos sobre
as peles. þjálfi,
o filho do fazendeiro, agarrou firmemente o fêmur
de um dos cavalos e cortou-o com sua faca,
quebrando-o até a medula.
þórr
passou ali aquela noite e pouco antes do
amanhecer já havia se levantado e se vestido.
Ergueu o martelo Mjöllnir e consagrou as
peles dos cavalos. Os cavalos então se
levantaram. Porém, um deles mancava de uma
perna; þórr
percebeu e declarou ao fazendeiro e sua família
que não haviam sido bastante atenciosos com
os ossos – ele sabia que o fêmur estava
partido. Não é necessário alongar esta história,
pois qualquer um pode imaginar o quanto o
fazendeiro se aterrorizou ao ver þórr
deitar suas sombrancelhas sobre seus olhos –
e quando þórr dá a seus olhos tal movimento, tem-se a nítida
impressão de que, de um só olhar, tombar-se-á
morto. þórr
alçou seu martelo de tal modo que as juntas
[de seus dedos] se empalideceram, mas o
fazendeiro e sua família tomaram a atitude
que deves estar a imaginar: gritaram,
imploraram por piedade, e ofereceram-lhe
compensação com tudo aquilo que possuíam.
Quando þórr
percebeu aquele terror, abandonou sua fúria e
acalmou-se, aceitando pela reconciliação as
duas crianças, þjálfi
e Röskva. Desse dia em diante, estes se
tornaram seus servos e o seguiram para sempre.
De
Skrýmir
Então,
[þórr]
deixou seus cavalos e segui viagem em direção
leste, até Jötunheimr, seguindo o caminho do
mar sobre o oceano profundo. Ao avistar terra,
encontrava-se de Loki, þjálfi
e Röskva. Não haviam andado muito até
atingirem um bosque, e caminharam por um dia
inteiro até escurecer. þjálfi,
que poderia correr mais rápido que qualquer
um, carregava consigo a bolsa de þórr.
Mas eles não possuíam muitos alimentos.
Quando
escureceu, procuraram um local onde poderiam
pernoitar, e chegaram a um enorme palácio que
tinha uma porta aberta, tão alta quanto o próprio
palácio. Eles dividiram aquela noite em
quartos de hora, mas à meia-noite um grande
terremoto; a terra tremia sob eles e todo o
lugar sacudia. þórr
se levantou, despertou seus companheiros e, após
uma busca, descobriram um quarto à direita,
no centro do palácio, e entraram. þórr
se sentou na entrada, mas os outros estavam tão
aterrorizados que apenas conseguiam seguir
[seus movimentos]. Ele agarrava firmemente o
punho de seu martelo, determinado a
defender-se. Então, ouviram uma enorme ressonância
de estrondos.
Ao
amanhecer, þórr saiu e avistou um homem – que não era nada pequeno
– caído perto do bosque. Estava dormindo e
roncava fortemente. Ao compreender que aqueles
eram os ruídos que ouvira durante a noite, þórr afivelou seu cinturão de força,e seu poder cresceu.
Todavia, nesse exato momento, o homem
despertou e levantou-se rapidamente. Pela
primeira vez, viu-se þórr
por demais sobressaltado para desferir um único
golpe com seu martelo e, assim, perguntou [ao
homem] seu nome. Este respondeu ser Skrýmir e
“não há necessidade de argüir teu
nome”, disse ele, “pois sei que és Ásaþórr
(“Thor dos Æsir”). Por acaso estás com
minha luva?” ergueu sua mão e mostrou sua
luva e, desse modo, þórr
percebeu que era o local onde passara a noite
e que o quarto onde estivera era um polegar.
Skrýmir
perguntou a þórr
se gostaria de sua companhia; þórr
respondeu-lhe que sim. Skrýmir desfez sua
bolsa de provisões e preparou-se para uma
refeição, mas þórr
lhe informou que já haviam escolhido um outro
local [para comer]. Skrýmir sugeriu que
juntassem as provisões e þórr
consentiu. Então, skrýmir enfiou todas as
provisões na bolsa e jogou-a às costas.
Seguiram
em frente em largas passadas e, ao fim do
entardecer, encontraram um bom local para
pernoitar, abaixo de um grande carvalho. Skrýmir
disse a þórr,
então, que desejava deitar-se e dormir,
“mas peguem a bolsa de provisões e façam
suas refeições”. No minuto seguinte skrýmir
estava dormindo e roncando muito alto. þórr
pegou a bolsa de provisões com a intenção
de desatá-la, mas, por incrível que pareça,
deve ser dito que era incapaz de desfazer um só
nó, ou mesmo afrouxar a ponta da correia, que
permaneceu atada do mesmo modo que antes. Ele
percebeu que estava a perder seu tempo e,
enfurecendo-se, agarrou o martelo Mjöllnir
com ambas as mãos e foi até onde Skrýmir
dormia, golpeando-o na cabeça.
| Þórr (Thor) golpeando Skrýmir |
| Peter Hurd |
| Ilustração, 1882 |
Skrýmir
despertou, perguntando-lhe se alguma folha do
carvalho havia caído sobre sua cabeça e se
todos já haviam se alimentado, estando
prontos para dormir. þórr
respondeu-lhe que sim, e foram para baixo de
outro carvalho. Para dizer-te a verdade, eles
estavam muito amedrontados para dormir; mas à
meia-noite, þórr
ouvia Skrýmir roncando tão alto que o bosque
inteiro ressonava. þórr
se levantou, ergueu poderosamente seu martelo,
e golpeou [Skrýmir] no meio da fronte,
sentindo que o martelo afundava direto em sua
cabeça. Imediatamente, Skrýmir se levantou e
perguntou: “O que houve agora? Caiu um fruto
em minha cabeça? Ocorreu algo a ti, þórr?”
þórr,
entretanto, rapidamente retrocedeu, dizendo
que acabara de acordar, que estavam no meio da
noite e que ainda tinha algum tempo para
repousar. Contudo, ele pensou que, se tivesse
oportunidade para golpeá-lo uma terceira vez,
ele não sobreviveria, e assim permaneceu, a
esperar que Skrýmir adormecesse.
Pouco
antes do amanhecer, [þórr]
percebeu, pelo que ouvia, que Skrýmir já
havia adormecido. Levantou-se e foi até ele,
erguendo o martelo com toda sua força e
agredindo-o na têmpora que estava voltada
para cima. O martelo foi enterrado até o
punho, mas Skrýmir apenas despertou e sacudiu
sua cabeça, perguntando: “Existem pássaros
sobre mim? Pareceu-me ao acordar, que alguns
ramos caíram sobre minha cabeça. Já estás
desperto þórr? É hora de se levantar e de se vestir. Não deveis
estar longe, porém, de alcançar a fortaleza
conhecida como Útgarðr (Utgard). Ouvi que
sussurráveis sobre o fato de eu não ser um
homem pequeno, mas se chegardes até Útgarðr,
observareis que homens maiores existem lá.
Dar-vos-ei um conselho, porém: não vos
comporteis de modo arrogante; os soldados de
Útgarðrloki não tolerarão arrogância de
insignificantes como vós. Vosso outro rumo
seria o caminho de volta, que em minha opinião,
seria o mais aconselhável. Porém, caso
desejais seguir em direção leste, eu me
dirigirei ao norte, àquelas montanhas que
podeis avistar.”
Skrýmir
pegou sua bolsa de provisões e jogou-a às
costas, voltando-se bruscamente em direção
ao bosque e deixando-os para trás. Não é
relatado que os Æsir tenham demonstrado
qualquer desejo de reencontrá-lo.
þórr
e seus companheiros seguiram seu caminho e
andaram até o meio-dia. Então, avistaram uma
fortificação sobre uma planície e tiveram
que virar seus pescoços sobre seus ombros
para que pudessem observá-la em toda sua
altura. Foram até a fortificação e
encontraram um grande portal fechado na sua
entrada; þórr
forçou-o, mas não conseguiu abri-lo.
Tentaram de todos os modos ingressar na
fortaleza, mas só o conseguiram ao se
comprimirem entre as barras do portal.
De
Útgarðrloki
Avistaram
um imponente palácio e dirigiram-se a ele.
Seu portal estava aberto e, ao entrarem, viram
vários homens, em sua maioria, muito grandes,
sentados em dois bancos. Em seguida, chegaram
ao rei Útgarðrloki e o saudaram, mas isso
ocorreu um pouco antes de que ele os notasse.
Ele sorriu sarcasticamente para eles e disse:
“Novidades viajam lentamente através de
longas distâncias, ou estarei incorreto ao
afirmar que este fedelho seja Ökuþórr?
Creio que deves ser mais forte do que pareces.
Quais habilidades pensam tu e teus
companheiros dominar? Não permitimos que alguém
que não domine alguma arte ou possua algum
conhecimento permaneça entre nós.”
E
aquele que seguia por último, conhecido como
Loki, disse: “Possuo um conhecimento com o
qual estou pronto a ser posto à prova; não há
aqui alguém que possa comer mais rápido do
que eu.” Útgarðrloki respondeu: “Será
um feito se tu o provares, e poremos isto à
prova.” E chamou o que se sentava no fim de
um dos bancos, aquele que os homens chamam
Logi, e que agora deveria descer ao pátio em
frente à guarda e posicionar-se á frente de
Loki.
Então
um trincho foi preparado, trazido ao pátio e
enchido de carne. Loki se sentou em uma ponta
e Logi em outra, e cada um comeu o mais rápido
que pôde. Encontraram-se ao centro do
trincho, e Loki havia deixado apenas os ossos
de sua carne, mas Logi havia devorado não
apenas sua carne, mas [também] os ossos e o
trincho. A todos pareceu que Loki havia
perdido seu intento.
Então,
perguntou Útgarðrloki o que o mais jovem
poderia fazer. þjálfi
disse que poderia disputar uma corrida com
qualquer um que Útgarðrloki designasse. Útgarðrloki
disse que esta seria uma boa arte e que [þjálfi] teria de ser muito hábil para praticá-la,
concordando que ele fosse submetido à prova.
Então, Útgarðrloki se levantou e saiu; ali,
em campo aberto, havia uma excelente pista de
corrida. Útgarðrloki chamou um rapaz chamado
Hugi e ordenou que corresse com þjálfi.
Na primeira corrida Hugi foi tão à frente
que virou-se no final da pista para encontrar þjálfi.
Útgarðrloki disse: “þjálfi,
terás de esforçar-te um pouco mais se
quiseres ganhar a disputa, ainda que seja
verdade que nenhum homem, que aqui tenha
estado, tivesse pés mais velozes que os
teus.”
Correram,
assim, uma segunda corrida e, dessa vez,
quando Hugi chegou ao fim e se virou, þjálfi estava atrás a uma distância de um longo tiro de
flecha. Útgarðrloki disse: “Acredito que þjálfi
seja um bom corredor mas não creio que venha
a vencer agora. É o que veremos, no entanto,
ao disputarem uma terceira corrida.” Então,
disputaram ainda em outra corrida. Hugi já
havia chegado ao fim e se virado, mas þjálfi
ainda se encontrava no meio da pista; e todos
disseram que a competição estava terminada.
Assim,
Útgarðrloki perguntou a þórr
qual habilidade ele estaria disposto a
demonstrar, uma vez que todos narravam as
lendas sobre seus magníficos feitos. þórr
respondeu que preferiria competir com qualquer
um, bebendo. Útgarðrloki concordou que assim
poderia ser; entrou no palácio e chamou seu
copeiro, que trouxe um corno, do qual seu exército
estava acostumado a beber. O copeiro foi até þórr
e colocou o corno em sua mão. Útgarðrloki
comentou: “Acreditamos que beber bem seja
fazê-lo de um só trago neste corno. Alguns
homens precisam de dois para esvaziá-lo, mas
não há um bebedor tão ruim que não o
esvazie em três tragos.” þórr olhou para o corno e não o considerou muito fundo,
embora fosse um pouco largo; e ele estava com
muita sede. Começou bebendo em grandes goles,
acreditando que não necessitaria virar o
corno por mais de uma vez. Porém, quando sua
respiração fraquejou, ele ergueu sua cabeça
para observar que progresso havia sido feito,
e pareceu-lhe que muito pouco havia baixado no
corno em relação a antes.
 |
| Þórr (Thor) bebendo |
| Giovanni Caselli |
| Ilustração (desculpe, sem informação da data) |
Então,
Útgarðrloki disse: “Bebeste bem, mas não
muito. Jamais teria acreditado, se a mim fosse
relatado, que Ásaþórr não pudesse dar
maior trago. No entanto. Sei que irás esvaziá-lo
com um segundo gole. þórr
não respondeu; colocou o corno em sua boca
com intenção de dar um gole maior e de se
esforçar para beber até sua respiração
findar, quando percebeu que a ponta do corno não
se levantava tanto quanto desejava. Ao tirar o
corno da boca e olhar para o seu interior,
pareceu-lhe que havia esvaziado ainda menos
que antes e que o espaço entre a bebida e a
borda só permitia que carregasse o corno sem
que este transbordasse.
Útgarðrloki
disse: “E agora, þórr?
Estás a reservar algum trago? Parece-me que
se quiseres esvaziar o corno com um terceiro
gole, este deverá ser o maior. Como vês, não
serás considerado tão poderoso entre nós
quanto és pelos Æsir, a não ser que dês
mais de ti em outros jogos do que parece-me
que estás a dar neste.”
Então,
þórr
se enfureceu e pôs o corno em sua boca, dando
um trago gigantesco; quando olhou para ele,
observou que o nível havia descido muito
pouco. Desse modo, ele desistiu do corno, não
mais voltando a beber.
Útgarðrloki
comentou: “Está evidente que teu poder não
é tão grande quanto imaginávamos. Não
desejas, contudo, competir em outros jogos?
Ficou claro que nesse não levaste vantagem
alguma.” þórr
respondeu: “Ainda posso disputar outros
jogos. Estranho, mas quando estava em casa
entre os Æsir, considerava bebidas, como
essa, pequenas. Qual jogo queres oferecer-me
agora?”
Então,
disse Útgarðrloki: “Os jovens daqui fazem
algo pouco valoroso, que é erguer meu ato do
solo. Mas eu jamais viria a sugerir tal coisa
a Ásaþórr, se não percebesse que ele não
era tão poderoso quanto eu pensava que
fosse.” Surgiu, então, um gato cinzento,
que saltou ao solo do palácio, e era [um
gato] bem grande. þórr foi até ele, envolveu-o com o braço, segurando-o pela
barriga, e levantou-o; mas o gato arqueava-se
à medida em que þórr
erguia seu braço. Quando þórr
o levantou o mais alto que pôde, ele tirou
apenas uma de suas patas [do solo] e isso foi
tudo que þórr
conseguiu no desafio.
Útgarðrloki
disse: “Isso se segui como eu suspeitava. O
gato é bastante grande, mas þórr
é baixo e pequeno comparado a qualquer homem
que aqui se encontra”.
þórr
disse: “Podes chamar-me de pequeno, mas
permita que um dos seus venha a combater
comigo, pois agora estou em fúria.”
Útgarðrloki
disse, olhando para o banco: “Não conheço
pessoa alguma aqui que seja recomendada a
duelar contigo.” E acrescentou: “Espere um
momento, chamai aqui minha velha madrasta
Elli, e deixai que þórr
com ela duele, se assim o desejar. Ela já
derrotou homens que me pareceram mais fortes
que þórr.”
Assim
entrou uma anciã no palácio e Útgarðrloki
disse a ela que deveria lutar com Ásaþórr.
Não é necessário que esta história por
demais se prolongue. Quanto mais violentos se
tornavam os ataques de þórr,
mais a anciã parecia firme ao solo. Então,
quando a velha procurou agarrá-lo, þórr
perdeu o equilíbrio e foi um choque tão
violento que não tardou para que caísse
sobre um calcanhar. Desse modo, Útgarðrloki
foi até eles e disse-lhes que cessassem a
disputa, argumentando que não havia
necessidade de que þórr
combatesse com qualquer um de seus súditos.
Assim chegou o anoitecer e Útgarðrloki
indicou a þórr
e seus companheiros onde deveriam alojar-se, e
ali passaram aquela noite, tratados com grande
hospitalidade.
Logo
que o dia seguinte amanheceu, þórr
e seus companheiros se levantaram, prontos
para partir. Útgarðrloki mostrou-lhes uma
mesa servida para eles e não faltou fartura
de comida e bebida. Quando terminaram a refeição,
partiram em sua jornada e Útgarðrloki os
acompanhou ao saírem da fortaleza. Ele se
despediu de þórr,
perguntando como havia sido sua jornada e se já
havia encontrado antes algum homem que possuísse
mais poderes do que ele [Útgarðrloki]. þórr
lhe respondeu que não poderia afirmar se fora
tão envergonhado como daquela vez em alguma
outra disputa, “mas sei que farás pouco de
mim e não gosto disso.”
Então,
disse Útgarðrloki: “Agora que saístes da
fortaleza, contar-vos-ei toda a verdade. Se eu
ainda viver e se de minha vontade depender, tu
[þórr]
jamais voltarás a lá ingressar e, te digo,
que se eu soubesse o poder que possuis, jamais
permitiria que lá ingressasses, pois quase
nos causaste um desastre. Tive de te enganar
com alguns feitiços. A primeira vez foi
quanto te encontrei no bosque, e tentavas
desatar a bolsa de provisões. Eu a havia
atado com um elo de fero e não descobriste
onde abri-la. Após isso, desferiste-me três
golpes com o martelo; o mais franco foi o
primeiro, embora, se me tivesse acertado,
teria causado minha morte. Onde viste uma
formação rochosa, perto de minha fortaleza,
na qual havia três marcas quadradas – sendo
uma delas muito funda – eram aquelas as
marcas de teu martelo. Eu coloquei a rocha à
frente de teus golpes, mas não a viste. O
mesmo ocorreu nas disputas com os súditos. O
primeiro foi Loki, que estava faminto e comeu
muito rápido. Mas o homem chamado Logi era o
fogo, e queimou velozmente tanto o trincho
como a carne. E quando þjálfi
correu contra o chamado Hugi, era este meu
pensamento, e þjálfi
não poderia esperar competir em velocidade
com ele. E quando bebeste do corno,
acreditando estar por demais lento, te digo,
eu jamais acreditaria que tal milagre fosse
possível, pois a outra extremidade do corno
se encontrava no mar, embora não houvesses
percebido e, agora, se chegares ao oceano, verás
o quanto fizeste baixar. A isso chama-se hoje baixa-mar”.
E
continuou: “Não menos admirável achei,
quando ergueste o gato; para dizer-te a
verdade, qualquer um ficaria terrificado
quando levantaste uma de suas patas do solo. O
gato não era o que parecia ser, era a
serpente de Miðgarðr (Midgard), que jaz ao
redor do mundo e que da cabeça à cauda é
longa o bastante para envolver a Terra.
Ergueste-a tão alto que não ficou a longa
distância do céu. Também foi magnífico o
duelo, no qual tanto tempo suportaste, somente
caindo sobre um calcanhar ao agredir Elli,
pois nunca houve e nunca haverá alguém que não
seja derrubado pela velhice. E, agora, de
fato, nós estamos de partida, e será melhor
para ambos que jamais tornes a me ver. Devo
partir em defesa de minha fortaleza, com estes
ou outros encantamentos, de modo que não terás
poder algum sobre mim.”
E
quando þórr ouviu esta história, agarrou seu martelo e brandiu-o
nos ares; mas, no momento em que estava para
desferir o golpe, não mais viu Útgarðrloki.
Então, voltou-se para a fortaleza com intenção
de destruí-la, e não mais a viu – somente
vastas e belas planícies. Retornou sua
jornada, no caminho de volta a þrúðvangar
(Thrudvangar). Para dizer-te a verdade, ele
estava disposto a comprovar se realmente
poderia combater a serpente de Miðgarðr,
como ao fim se sucedeu. Não creio que
qualquer outro homem possa contar-te mais
sobre esta jornada de þórr.
ReferênciaS
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University Press.
JACOBSEN,
Bent Chr. ONP:
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da web, endereço eletrônico: http://www.onp.hum.ku.dk/webmenue.htm
Lysator (1996-2003)
Edda
Sæmundar - in icelandic, In:_______Project Runeberg,
página da web, endereço eletrônico:
http://www.lysator.liu.se/runeberg/eddais/index2.html
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(1995-2003)
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De nordiska guda- och hjältesångerna, In:_______Project
Runeberg, página da web, endereço eletrônico:
http://www.lysator.liu.se/runeberg/eddan/
STURLUSON, Snorri. (1993) Edda em prosa: textos
da Mitologia Nórdica de Snorri Sturluson,
tradução, apresentação e notas de Marcelo
Magalhães Lima, Rio de Janeiro, Numen
Editora. ISBN 85-7260-002-7
| Página
criada em 07/06/2004. |
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