Os
Elfos, Álfir ou Álfar no antigo Nórdico
(Old Norse), singular Álf, que deu no
Anglo-Saxão (Old English) ylfe, daí o
inglês moderno elf, que textualizado
para o português deu em elfo; é um
termo genérico para os seres conhecidos
popularmente, no folclore e nas fábulas, como
duendes, gnomos e anões. Mas geralmente o
termo elfo é uma
alusão aos Ljósálfar (“elfos da
luz”), que são seres sobrenaturais de
beleza inenarrável, brilhantes como o sol,
que vestem-se de forma delicada e
transparente; são criaturas benevolentes, e
possuem seu próprio país, um dos Nove
Mundos, Alfheimr, onde o deus Vanir Freyr é o
soberano.
Há
algumas raras referencias sobre os ljósálfar
na Edda Poética, pois suas funções nos
mitos são mínimas. Dain é o único
destacado individualmente, líder dos ljósálfar
no país de Alfheimr, como é dito no Havamál
(“As Máximas de Har”), junto com o nome
do deus supremo Óðinn (Odin). A verdade é
que os mitos germânicos não dizem muito
deles. Estes elfos são mais bem desenvolvidos
no folclore, nas fábulas e no mundo de
fantasia dos romances, como do famoso autor
d'O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien.
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No
entanto há uma outra categoria desses seres,
assim como acontece com os deuses, e os
gigantes, estes são os Svartálfar (“elfos
da noite”) chamados também de Dokkálfar
(“elfos escuros”), que ao contrário dos
ljósálfar, estes possuem aparência grotesca
e pele encardida, evitavam constantemente o
contato com o sol, que tem o poder de
transformá-los em pedra, característica
comum com os gigantes (þroll). Na Edda em
Prosa, Snorri Sturluson não distingue
os svartálfar dos anões, a não ser por
estes viverem em Svartalfheimr e os anões
viverem em Nidavellir. De fato o Old
Norse álf, de forma geral pode designar tanto
elfos quanto anões.
Os
svartálfar ou dokkálfar são bem mais
explorados nos mitos e lendas germânicos. Na
Edda Poética, numa das Baladas Divinas,
chamada Völuspá (“A Profecia da
Vidente”) são citados vários de seus
nomes, e eles são divididos em dois grupos,
aqueles surgidos da terra, e aqueles surgidos
da rocha. Particularmente o termo dokkálfar
se liga aos Niflungar (Nibelungos), do
“ciclo dos Volsungos/ Nibelungos” da Edda
Poética e das sagas, a raça de anões que
foi subjugada pelo herói Sigurðr (Sigurd).
Também é dito que os dokkálfar habitariam
provavelmente Niflheimr. Neste caso eles
seriam almas dos homens mortos que habitam as
necrópoles (“colinas funerárias”). É
difícil dizer ao certo, visto que até os
escritas antigos parecem confusos em relação
ao assunto. Não há confusão entretanto, no
fato de que os dokkálfar que habitam
Niflheimr são nada mais do que almas de
mortos.
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No
entanto, em geral, os elfos são seres
associados à vida da natureza e que o povo
julgava residir nas águas, nos bosques, nas
montanhas e, mesmo, no seio das flores; suas
relações com os homens são diversamente
descritas. A poesia inglesa da Idade Média os
mostra como criaturas aéreas e luminosas,
cheias de doçura e bondade, características
dos ljósálfar; já os povos que habitavam a
atual Alemanha, deles tinham receio, bem como
os escandinavos, pois acreditavam que eles
podiam se irritar, às vezes sem motivo ou
causa aparente, características dos svartálfar
e dokkálfar.
Aos
ljósálfar é atribuído o dom da cura, como
visto na Kormaks Saga (século XIII),
onde Komark feriu Þorvarðr (Thorvard), então
Þirdis (Thirdis)
aconselhou Þorvarðr a procurar os
elfos para curá-lo através do oferecimento
de um sacrifício, o Álfablót
("sacrifício dos elfos").
Mas tanto os svartálfar
quanto os dokkálfar, vistos individualmente
ou não,
são conhecidos como causadores de doenças,
conforme aparecem em termos antigos para doenças
nos países germânicos, como
“tiro-de-elfo”. “Tiro-de-elfo” é
essencialmente um dardo atirado em uma pessoa
por esses elfos com o intuito de causar doenças,
presumivelmente devido a alguma afronta que o
humano cometeu contra estes.
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Na
tradição popular diz-se que os elfos vivem
em sociedades, como os homens; possuem reis,
sumamente respeitados. Amantes do jogo e da
dança; comumente passam a noite inteira em
bailados infatigáveis que só cessam com o
canto do galo, pois temem a luz e o olhar do
homem. Aquele que, numa noite enluarada, nos
ermos e descampadas, se deixe fascinar por uma
filha dos elfos, está perdido para sempre; em
geral, porém, suas danças não têm
testemunhas; de manhã percebe-se apenas, na
erva o traço ligeiro dos seus pezinhos.
ReferênciaS
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tradução, apresentação e notas de Marcelo
Magalhães Lima, Rio de Janeiro, Numen
Editora. ISBN
85-7260-002-7
| Página
criada em 28/02/2003. |
| Última
modificação em 25/06/2004. |