Mitologia Germânica ANO II

O freixo do mundo

  

Yggdrasill, com a águia no topo, os cervos comendo as folhas e a serpente nas raízes.
(desculpe, sem informação)

  

Yggdrasill, "O Freixo do Mundo", é uma árvore de dimensões prodigiosas e de propriedades espantosas. O freixo (Fraxinus Excelsior) pertence à família das oleáceas e é uma árvore típica do norte da Europa. No idioma Nórdico (Old Norse) Yggdrasill quer dizer “Cavalo de Yggr”. Yggr é um epiteto do deus Óðinn (Odin). Óðinn também é conhecido como Hanatýr ("deus dos enforcados") e Galgatýr ("deus das forcas"). Os escandinavos denominavam o patíbulo de “cavalo de árvore” ou “cavalo de madeira”, referindo-se à relação entre a árvore Yggdrasill e o auto-enforcamento do deus, descrito no Runatál ("Sobre as Runas"), parte V do Hávamál ("As Máximas de Har"), uma das Baladas Divinas da Edda Poética. 

O Irminsul (“coluna gigantesca”), tronco de árvore e espécie de altar que costumava estar nos lugares elevados. Também é o nome que as tribos Anglo-Saxônicas davam para Yggdrasill, o sustentáculo/pilar cósmico de todo o mundo: axis mundi ou universalis columna. Nenhuma fonte mitológica fornece explicação para sua origem, motivo que alguns especialistas consideram que seu culto é muito mais antigo que o panteão religioso escandinavo. Yggdrasill seria a fonte de toda a vida, todo o saber e de todo o destino do universo. 

          

Freixo (Fraxinus Excelsior)
(desculpe, sem informação)

    

Esta árvore e suas virtudes são um dos aspectos mais originais da mitologia germânica: para os germânicos, não era um gigante (como na mitologia grega) mas uma árvore que sustentava o mundo, isto prova a veneração especial que tinham os povos germânicos pela árvore. Assim como na mitologia vemos os deuses reunirem à sombra de Yggdrasill para dispensar justiça, os chefes dos povos germânicos tinham suas assembléias igualmente ao pé de uma árvore. Este costume ainda estava em uso no século XIII, na Frísia, onde os estados provinciais se reuniam sob três grandes carvalhos, perto de Aurich.

Nas suas raízes ficam os mundos subterrâneos, habitados por povos hostis e pelos mortos. Em torno do tronco, fica Miðigarðr (Midgard), mundo material dos homens. Nos ramos mais altos, que roçam o sol e a lua, fica Ásgarðr (Asgard), domínio dos deuses Æsir, com muitos palácios, entre eles “O Palácio do Mortos”, Valhöll (Valhalla), onde os guerreiros são recebidos. Nessas alturas também temos o Vanaheim, domínio dos deuses Vanir.

  

As três Nornor (Nornas) junto ao tronco de Yggdrasill na fonte de Urð (Urd)
(desculpe, sem informação do autor e data)
Ilustração para a tradução sueca da Edda Poética (Fredrik Sander, 1893)

  

O mundo inteiro se estende à sua sombra; o freixo mergulha as suas raízes profundamente na terra e ergue sua copa até aos céus, onde é banhado por uma nuvem de luz. Esta árvore misteriosa e majestosa abrange todas as partes do universo e abriga inúmeros seres animais. É sempre verde, ainda que sua folhagem seja constantemente devorada por animais de toda a espécie. Sua força provém da fonte de Urð (Urd), onde o freixo Yggdrasill mergulha uma de suas raízes, esta fonte é uma espécie de “Fonte da Juventude”, que é guardada pelas Nornor (Nornas). A árvore recebe, também, orvalho maravilhoso, que lhe vem do céu e com o qual não cessa de se alimentar, as gostas leitosas ou argênteas que o orvalho celeste derrama sobre o freixo, assemelha-se ao hidromel, a bebida dos deuses. Por esta razão os skálds (poetas) davam à árvore Yggdrasill o nome de “Árvore do Hidromel”. Este pilar do universo tem outro nome: “A Árvore do Destino”, pois vive da água fornecida pela fonte das Nornor que são as deusas do destino.

  

Freixo em seu ambiente típico do norte da Europa
(desculpe, sem informação)

  

Yggdrasill tem várias raízes; uma penetra na fonte de Urð, outra no Niflheimr a fim de atingir a fonte Hvergelmir, outra, ainda, entra no país dos gigantes, perpetuamente coberto de neve, e atinge a fonte Mímir, guardada pelo gigante de mesmo nome, sendo uma "Fonte da Sabedoria", sua água é tão preciosa que para dela beber Óðinn não hesitou em se privar de um olho.

Numerosos são os animais que vivem à sombra do freixo: sobre os galhos mais elevados empoleira-se o galo de ouro, guarda atento dos horizontes e que previne os deuses quando os seus eternos inimigos, os gigantes, se aproximam. Uma águia com seu olhar penetrante perscruta todo o mundo, esta águia, entre os olhos, traz um gavião. O esquilo Ratatosk, sem cessar, sobe e desce pelos galhos do freixo, indo da águia que esta no alto, até à serpente-dragão que se encontra ao pé, entretendo a discórdia que entre ambos reina. A cabra Heidrun alimenta-se de sua folhagem verdejante, e quatro cervos devoram as folhas, os ramos e até a casca do freixo, e a árvore logo morreria, se a fonte maravilhosa não fizesse correr no seu seio uma vida sempre nova. Por último, serpentes-dragões roem suas raízes de modo particular a imensa Níðhöggr (Nidhogg), a mais temível de todas.

  

Raízes
(desculpe, sem informação)

 

 

      

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ReferênciaS BIBLIOGRÁFICAS:

 

CHERRY, Nicole (1996-2001) Norse Mythology, página da web, endereço eletrônico: http://www.ugcs.caltech.edu/~cherryne/mythology.html 

HOLLANDER, Lee M. (1928) The Poetic Edda, Texas University Press.

JACOBSEN, Bent Chr. ONP: A Dictionary of Old Norse Prose, página da web, endereço eletrônico: http://www.onp.hum.ku.dk/webmenue.htm  

LANGER, Johnni. (2003) Morte, sacrifício humano e renascimento: uma interpretação iconográfica da runestone viking de Hammar I. Mirabilia: Revista de História Antiga e Medieval n. 3.

SPALDING, Tassilo Orpheu. (1973) Dicionário de Mitologia Germânica, Eslava, Persa, Indiana, Chinesa, Japonesa, São Paulo, Editora Cultrix.

STURLUSON, Snorri. (1993) Edda em Prosa: Textos da Mitologia Nórdica de Snorri Sturluson, tradução, apresentação e notas de Marcelo Magalhães Lima, Rio de Janeiro, Numen Editora. ISBN 85-7260-002-7

 

   

Página criada em 03/06/2004.
Última modificação em 11/03/2005.

 

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