As
armas de ataque Viking
consistiam em espada, machado, lança e arco e
flecha. Dessas armas as mais importantes eram
a espada e o machado: qualquer Viking respeitável
sempre as levava consigo.
ESPADA
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A
espada é muito conhecida devido às numerosas
descobertas na Escandinávia: mais de
duas mil na Noruega, muitas na Suécia, mas
comparativamente poucas na Dinamarca. De certa
forma essa distribuição é responsável pelo
fato de que essas espadas são geralmente
descobertas em sepulturas, e que o
cristianismo, que proibia o enterro de armas
com os mortos, atingiu primeiramente
a Dinamarca e depois a Noruega e Suécia.
A espada era indubitavelmente a principal arma
Viking, com o machado em segundo lugar.
Durante o período imediatamente precedente a
Era Viking, o tipo mais popular de espada,
especialmente na Noruega, era a do tipo de um
só corte, mas os Vikings preferiam a espada
de ferro comprida, geralmente larga e de dois
cortes, com o punho composto de quatro
elementos: uma peça transversal perto da lâmina
(o anteparo ou punho inferior), então o cabo
achatado estreitando-se a partir da lâmina,
outra peça transversal (o punho superior) e,
finalmente, um pomo triangular ou semicircular
freqüentemente segmentado. Os anteparos eram
comumente retos, mas formas curvas também
corriam. A lâmina era soldada e às vezes
embutida; o punho ricamente gravado e dourado,
ou marchetado com ouro, cobre, prata ou
nigela; portanto a espada Viking era comumente
uma arma de grande esplendor. Os Vikings,
realmente, adoravam riqueza e cor nas suas
armas, apetrechos e roupas. A bainha é
raramente encontrada, mas sua ponteira de
bronze sempre permanece; é triangular e
possui trabalhos ornamentais com aberturas no
material com figuras de animais.
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As
primeiras espadas Vikings eram bastante
simples, as posteriores tendem a desenvolver
anteparos mais amplos e a acentuar a segmentação
do pomo. Arqueólogos escandinavos fizeram um
cuidadoso estudo tipológico dessas espadas
Vikings, e classificaram-nas em mais de vinte
categorias: norueguesas, dinamarquesas, suecas
e escandinavas, antigas e recentes. Também
foram desenterrados exemplares nas várias
“esferas de influência” Viking –
Inglaterra, Irlanda, França, Rússia, etc.
Porém
a manufatura dessas espadas Vikings não se
restringia apenas a Escandinávia, ou tão
somente ao estrangeiro, o provável é que
algumas eram produzidas no próprio país e
outras importadas. Uma espada é produto
complicado, e suas várias partes nem sempre
eram feitas pelo mesmo artífice.
Provavelmente havia especialistas diferentes
para lâminas, punhos e outras partes da
montagem. Por exemplo, supõe-se que um punho
de espada decorado com um desenho
distintivamente escandinavo, com um “animal
preso” ou algo no estilo Jelling,
provavelmente era feito na própria Escandinávia.
Por outro lado, uma lâmina apresentando a
marca de fabricação “Ulfberth” ou
“Ingelri”, certamente foi moldada no
estrangeiro, aparentemente na França. Sem dúvida
ferreiros escandinavos em geral tinham
habilidade técnica para manufaturar espadas;
as quantidades de ferramentas de ferro e de
ferreiros encontradas entre os Vikings,
particularmente entre os noruegueses, prestam
testemunho para a importância do ofício de
ferreiro entre os Vikings. No entanto as
melhores espadas eram feitas pelos francos, e
disso não há dúvidas, e para isso há evidências
literárias. Em primeiro lugar, o repetido
impedimento na exportação de espadas e
outras armas, imposto por Carlos Magno e
Carlos, o Calvo, até atingir o ponto de haver
pena de morte para os que não cumprissem a
lei. A proibição de Carlos Magno aplicava-se
tanto para o oriente como para o norte –
para os Avars e os Vikings – e a atenção
do clero era especificamente atraída para
isso, o que sugere que as armas freqüentemente
eram forjadas nas ferrarias dos monastérios.
A proibição de Carlos, o Calvo, era
expressamente dirigia contra o mercado Viking.
Uma
ilustração da superioridade das espadas
francas sobre as escandinavas encontra-se na
anedota contada em Gesta Caroli Magni (A
História de Carlos Magno) do imperador franco
Luís, o Germânico, sentado em seu trono
recebendo presentes de homenagem dos “reis
dos normandos”. Entre esses presentes
estavam espadas escandinavas, as quais foram
testadas pela experiente mão de Luís;
somente uma espada foi aprovada. A anedota
pode muito bem ser uma invenção, mas mesmo
assim logrou seu intento. Outra indicação do
mesmo tipo ocorre no relatório do árabe Ibn
Fadlan, que descreveu de um modo especial, as
espadas que ele viu os mercadores russos
carregando em Bulgar: com lâminas largas,
achatadas e entalhadas, “com o padrão
franco”.
A
região do Reno e Colônia, em particular, era
um importante centro de manufatura. Diz-se que
a Inglaterra importava “boas espadas de Colônia”.
Outras árabes atestam a importação das
espadas para o Oriente, parte delas na França
(através de intermediários judeus) e parte
vindas dos rus. Entretanto, eles relatam que,
às vezes, os árabes assaltavam as sepulturas
dos guerreiros rus para furtar as esplêndidas
espadas enterradas junto com o morto; da
declaração de Ibn Fadlan citada, é provável
que tanto as espadas rus importadas como
objetos das sepulturas rus fossem armas
francas. Os árabes, que eram forjadores de
espadas, raramente teriam dado tal valor as lâminas
escandinavas. Essas observações também têm
base arqueológica. Um estudioso sueco trouxe
à luz uma descoberta da Era Viking de Oland,
no Báltico, consistindo em cinco lâminas de
espadas damasquinadas com a marca de
manufatura “Ulfberth”. Aparentemente essas
lâminas foram importadas dos francos para que
os punhos fossem instalados na Suécia, pois
os artífices escandinavos eram
tradicionalmente famosos pela sua produção
em incrustar ou gravar punho de bronze.
MACHADO
Enquanto
que a espada era comum a todos os países na
Era Viking, o machado era uma arma característica
escandinava. No período Viking, geralmente a
acha-d’armas era, se não obsoleto, pelo
menos arcaica na Europa, e estava se
degenerando em uma arma cerimonial, heráldica
ou decorativa. Por outro lado, nos países nórdicos
a acha-d’armas alcançou uma renascença.
Para os povos mais atormentados da Europa
Ocidental, a acha-d’armas de punho largo
tornou-se o símbolo distintivo dos sanguinários
Vikings. A pedra de Lindisfarne traz um
entalhe de Vikings em coluna de marcha
carregando suas duas principais armas, o
machado e a espada, erguidos bem acima das
cabeças. A acha-d’armas Viking tinha muitas
variedades de formas, mas havia dois tipos
principais; o mais antigo, chamado skeggöx
ou “machado com farpas”, era uma herança
do século VIII, enquanto que o machado de
lenha era freqüentemente feito de ferro
especialmente endurecido e soldado na arma. Os
dois tipos de machado tinham o gargalo angular
e, às vezes, eram decorados com prata
requintada incrustada na lâmina e no gargalo.
Um machado de lenha com uma incrustação de
prata excepcionalmente bonito foi encontrado
durante as escavações do forte Viking
dinamarquês em Trelleborg.
LANÇA
A
lança era também comumente usada entre os
Vikings: pode-se dizer que era a terceira arma
dos Vikings. Não foi preservado nenhum cabo,
somente a ponta de lança de ferro. São lâminas
de formato elegante com uma nervura central
pontiaguda e uma embocadura de cavidade cônica
ajustando-se a ponta do cabo. Algumas vezes
essa embocadura tem lóbulos laterais ou
“asas”; essas cabeças “aladas” são
indubitavelmente francas. Alguns exemplares
mais recentes são ricamente incrustados com
padrões geométricos de prata ao longo da
base da lâmina; indubitavelmente essas lanças
seriam cuidadosamente devolvidas ao seu
proprietário depois da batalha, se ele
tivesse a sorte suficiente de estar vivo (de
qualquer forma para ele voltaria,
acompanhado-o na sepultura).
ARCO
E FLECHA
Finalmente
o arco e a flecha, uma arma antiga que , como
confirmam as sagas, teve uma atuação
importante em muitas batalhas Vikings. Nem os
arcos (certamente de um tipo simples e longo)
nem os cabos das flechas sobreviveram. Em
contraste, as cabeças das flechas são
comumente encontradas em túmulos (inclusive
de mulheres): com pontas fortes e perigosas,
que devem ter possuído um considerável poder
penetrante quando liberadas de um arco forte.
Às vezes são encontrados ao lado do morto em
montes com um pouco mais de quarenta. Elas
eram carregadas
em aljavas cilíndricas.
FACA
Outra
arma Viking também usada como ferramenta era
a faca de ferro. A faca de um corte só, com
um cabo de madeira ou osso, era carregada
pelos homens em seus cintos e pelas mulheres
(como Ibn Fadlan relata em seu relato Volga)
numa corrente usada sobre o peito. Em túmulos
da Era Viking é comum encontrar a mulher
morta deitada com uma faca sobre o peito ou
cintura.
EQUIPAMENTOS
DE DEFESA
O
mais importante equipamento de defesa dos
Vikings era o escudo de madeira, a armadura de
malha de ferro e o capacete de couro ou ferro
(sem chifre ou coisa parecida como é
comumente retratado o Viking). Poucos exemplos
têm sido encontrados, mas eles são
considerados por registros pictóricos e por
referências literárias. O escudo era
redondo, achatado e não muito grosso, freqüentemente
pintado e reforçado no centro por uma saliência
redonda de ferro. Escudos desse tipo estavam
pendurados em fileiras ao longo do alcatrate
do famoso navio Viking norueguês de Gokstad.
A armadura de malha de o capacete eram usados
somente pelos nobres, e apenas restaram
fragmentos, provavelmente de couro, de formato
aproximadamente cônico. Esse formato pontudo
possivelmente é emprestado de modelos
orientais. Tapeçarias urdidas do navio
norueguês Oseberg
retratam armaduras de malha brancas cobrindo o
corpo todo e com um capuz na cabeça.
EQUIPAMENTOS
DE MONTARIA
O
animal favorito dos Vikings era o cavalo, e o
cavalo de batalha de um guerreiro (bem como
seu cachorro) era, com freqüência enterrado
juntamente com ele. Os apetrechos de montaria
– esporas, estribos, rédeas, freio, sela,
arreios, broquéis, etc. , ofereciam ampla
oportunidade para finas ornamentações. Em
uma sepultura em Birka, Suécia, foi
encontrada uma rédea feita de couro decorado
com tachas de bronze prateado, e na ilha de
Langeland, no sul da Dinamarca, forma
encontrados, na cova de um capitão, esporas e
estribos ardonados com desenhos em baixo
relevo feitos em magnífica prata de elegante
padrão. Um cavaleiro Viking em todo o seu
esplendor deveria ter uma aparência que
valeria a pena ver. Através da crina do
cavalo era colocado o arreio entalhado: uma peça
de madeira com engastes de bronze com orifícios
através dos quais passavam as rédeas. As
sela encontradas na Noruega eram de madeira e
parece que eram colocadas bem para a frente
sobre o cavalo, de modo que as penas de quem o
montasse apontassem para a frente. Os estribos
– originalmente inventados nas estepes da
Eurásia – aparecem durante a Era Viking,
na Escandinávia, de duas formas, ambas de
ferro, mas derivadas de modelos primitivos em
couro e madeira. Uma das formas é uma versão
em ferro de uma simples correia estreita de
couro; a outra, copiada em ferro, em geral
finamente marchetada, era do mesmo tipo de
correia, junto com seu suplemento retangular
feito de madeira para descansar o pé. As
barras verticais do estribo eram com freqüência
decoradas com desenhos em prata ou bronze.
Outro item dos apetrechos de montaria. De
acordo com a evidência norueguesa, era um
tipo de guizo, cujo barulho destinava-se,
provavelmente, a manter os espíritos do mal
afastados.
Referência
BIBLIOGRÁFICA:
BRØNDSTED,
Johannes. (sd) Os Vikings: História de uma
Fascinante Civilização, tradução de
Mercedes Frigolla & Claudete Agua de Melo,
São Paulo, Hemus Editora.
| Página
criada em 28/02/2003. |
| Última
modificação em 08/06/2004.
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