Há vários
séculos atrás, nas igrejas e conventos do
norte da França ouvia-se a prece, que dizia:
“Ó Deus, livre-nos da fúria dos homens do
norte!” esta prece era amplamente
justificada. Os chamados “homens do norte”
eram os Vikings,
constituídos por dinamarqueses, noruegueses e
suecos, cujas espoliações estendiam-se desde
privados atos de pirataria e ataques litorâneos
a formidáveis invasões em busca de terras
para serem colonizadas. A atividade Viking
teve início antes de 800 d.C. e estendeu-se
para mais de dois séculos. Durante esse período,
os Vikings deixaram suas marcas não só na
Europa Ocidental, como também através do
Mediterrâneo, desde Gibraltar até a Ásia
Menor, na atual Rússia Ocidental, onde os
empreendimentos comerciais escandinavos uniram
Bizâncio e Arábia à Suécia.
Os
ataques Vikings eram inspirados por vários
motivos. Por esta razão, um mero relato
cronológico deles produziria um padrão
obscuro e contraditório, e portanto deve-se
fazer um esforço para classificá-los de
acordo com seus vários motivos e objetivos. O
estudioso sueco Fritz Askeberg propôs a
seguinte classificação:
1
– Ataques piratas comandados por indivíduos.
2
– Expedições políticas.
3
– Aventuras colonizadoras.
4
– penetração comercial.
Tal
divisão, como o próprio Askeberg salienta, não
pode ser aplicada universalmente, e muitos dos
ataques tinham, sem dúvida, motivos diversos.
Mas, desde que seja lembrado que esta
classificação não é de forma alguma cronológica,
serve para colocar o período Viking em
perspectiva.
ATAQUES
PIRATAS COMANDADOS POR INDIVÍDUOS
A
primeira categoria é a menos importante,
embora seja, provavelmente, a que primeiro nos
vem à mente quando pensamos nos contos
populares sobre os Vikings. Um historiador
norueguês alegou que esses ataques Vikings
eram verdadeiras proezas de exploração, e
que as pilhagens adquiridas não passavam de
saques legítimos, mas este ponto de vista
chega a ser ingênuo. Ataques desse tipo eram
numerosos durante o período Viking, mas
alguns poucos exemplos merecem ser
mencionados. O mais conhecido, e também o
primeiro de que se tem conhecimento no oeste,
é a pilhagem e a destruição, em 793, da
igreja e do mosteiro da fraca e indefesa ilha
de Lindisfarne, à direita da costa da Nortúmbria.
Nesta ilha, São Cuthbert trabalhou como prior
e bispo por volta de um século antes.
Lindisfarne era uma espécie de filial da
famosa Iona nas Hébridas, e muito famosa no
mundo cristão como um dos lugares de
peregrinação mais sagrados da Inglaterra. O Anglo-Saxon
Chronicle relata que presságios
terrificantes (dragões luminosos e voadores,
presenciados em 793) foram seguidos de fome
coletiva, e que pouco depois desses dolorosos
eventos, em junho, bárbaros assaltaram a
comunidade da ilha e saquearam a casa de Deus.
Esses selvagens eram os Vikings noruegueses,
que massacraram alguns monges, roubaram e
incendiaram o mosteiro. Alcuíno, famoso e
letrado sacerdote na atual da Nortúmbria, que
estava naquela época a serviço de Carlos
Magno na França, escreveu horrorizado ao Rei
Æthelred da Nortúmbria e a seus colegas da
Inglaterra, dizendo que o ataque mortal foi
uma punição de Deus pelos pecados do povo.
Ele viu outro sinistro presságio no boato de
que durante a quaresma gostas de sangue
tinham caído do teto da Igreja de São Pedro
em York. Ele lamentava que um dos mais nobres
santuários da cristandade na Inglaterra, a
Igreja de São Cuthbert, pudesse ter sido
profanada pelos selvagens – um fato como
esse era considerado impossível – e
implorou a Deus que salvasse seu país. Essa
retumbante e sangrenta realização serviu
como um prelúdio apropriado à agressão
Viking na Europa Ocidental.
Durante
as restaurações do mosteiro do século XII
em Lindsfarne, arqueólogos ingleses
encontraram uma curiosa pedra esculpida que,
aparentemente, datava de uma época
imediatamente posterior ao assalto do primeiro
mosteiro e ilustrava o medonho acontecimento.
De um lado da pedra estavam vários símbolos
da cristandade: a cruz, o sol, a lua, as mãos
de Jesus, e devotos orando. No outro lado os
atacantes são vistos suspendendo suas espadas
e machados de batalha e avançando em fila única,
estranhamente vestidos com jaquetas volumosas
e calças estreitas. Essa pedra de Lindisfarne
é um monumento comovente, esculpido, talvez,
por algum monge anglo-saxão que teria
presenciado este primeiro exemplo de um saque
Viking.
No
fim do século VIII e começo do século IX,
muitos ataques noruegueses similares
aconteceram no norte da Inglaterra, na Escócia
e na Irlanda. Algumas dessas espoliações,
conhecidas através de fontes literárias,
parecem ter sido lançadas do que é agora o
solo escocês: do Caithness e Shetlands, das
ilhas Órcades e as Hébridas. A evidência
arqueológica mostra que, quando os ataques
Vikings tiveram início, as ilhas já eram de
certa forma colonizadas pelos noruegueses, que
provavelmente as haviam encontrado
virtualmente desabitadas. Elas estavam
convenientemente situadas como bases para
ataques em ambos os lados da Escócia e nas crônicas
podem ser encontrados registros de numerosos
assaltos. Em 794 houve um ataque ao mosteiro
de Monkwearmouth (perto de Sunderland), onde,
incidentalmente, os Vikings entraram numa
desastrosa tempestade que lhes causou grandes
perdas humanas. Em 795 houve assaltos ao
mosteiro Columba em Iona, e na pequena ilha
irlandesa de Rechru (Lambay). Neste ano os
noruegueses atacaram também a costa do País
de Gales. Em 797 saquearam Kintyre na Escócia,
e a ilha de St. Patrick, ilha Man. Em 802 e
806 voltaram a Iona e novamente a devastaram.
Assim
foram os primeiros ataques piratas, que alcançaram
o auge no século IX. Eles eram realizados
mais por capitães menos importantes do que
por reis e condes, os quais tinham em mente
objetivos bem maiores. Foram os noruegueses
que começaram, emas os dinamarqueses e suecos
logo seguiram o exemplo. Esses pequenos
ataques continuaram a correr durante todo o
período Viking.
<<TOPO
EXPANSÃO
POLÍTICA
Como
exemplo de atividade Viking neste setor,
Askeberg menciona as operações militares
realizadas no início do século IX pelo rei
dinamarquês Godofredo, parcialmente ao
sudeste contra os eslavos (venêdos e
obodritos) das costas bálticas, e
parcialmente contra a Frísia, isto é, contra
Carlos Magno. É dito que Godofredo mudou a
cidade eslava de Reric (provavelmente em
Mecklenburgo) para a cabeceira do fiorde Slie
em Slesvig, e pouco antes de sua morte em 810
ele lançou um inesperado e bem planejado
ataque à Frísia, uma província do Império
de Carlos Magno. Com uma frota de duzentas
embarcações ele abriu caminho através das
defesas costeiras e ocupou o país, impondo um
tributo de duzentas libras de prata. Esse não
foi um ataque de pirataria, como tampouco uma
aventura colonizante (embora seja difícil
fazer uma distinção entre as duas). Foi um
ataque calculado e uma operação de
guerra repentina em que se pretendia a
conquista de territórios que eram política e
comercialmente valiosos para o Rei Godofredo.
<<TOPO
COLONIZAÇÃO
 |
As
maiores campanhas Vikings no oeste foram,
entretanto, sem dúvida alguma, motivados por
um impulso colonizador, e são essas ,
justamente, que dão maiores demonstrações
de poder do período Viking. Ocorrendo na última
metade do século IX e no início do século
X, sendo concluídas na primeira metade do século
XI. Embora os líderes fossem
predominantemente dinamarqueses e noruegueses,
os suecos também tiveram atuação nelas.
Durante esta época, grande parte do Norte da
França, Inglaterra e Irlanda foi ocupada e
governada pelos Vikings (ver mapa acima as
partes em marrom). As invasões, geralmente, não
eram lideradas por chefes de estados, mas sim
por homens de posição elevada. Esses líderes
freqüentemente tinham poderes equivalentes,
sem nenhum comando supremo. Os Vikings
insistiam nessa igualdade. Quando os francos
no rio Eure perguntaram aos Vikings quem era
seu líder, estes responderam com a célebre
frase: “Nós somos todos iguais!” (eles
mantinham, todavia, uma disciplina rigorosa
entre suas forças, principalmente no fim do
período Viking; um capitão e seus guerreiros
obviamente estavam longe de serem iguais).
Foram invasões desse tipo que penetraram em
Hamburgo e em Paris, as quais , sob o domínio
do filho de Ragnar Lodkbrok, alcançaram a
Inglaterra, e, sob Rollon, o norte da França;
e enquanto isso os líderes Vikings
noruegueses atacaram a Irlanda. O método
comumente adotado era que o exército ocupasse
os campos de base ao longo das costas nos
meses de inverno, e no verão avançassem em
direção à sua meta: a colonização o país
invadido. Dentro da categoria das expedições
colonizadoras devem ser incluídas as jornadas
norueguesas ao Atlântico nas Feroé, Islândia
e Groenlândia. Aqui, entretanto, não
havia necessidade de lutar por colônias; era
simplesmente uma questão de tomar as terras
que estavam quase ou completamente
desocupadas.
<<TOPO
EXPANSÃO
COMERCIAL
O
quarto e último tipo de atividade Viking
compreende as jornadas em busca de novas
oportunidades comerciais. Resta pouca informação
sobre essas jornadas ao oeste, mas muitas
sobre as do leste. Estudiosos suecos insistem
em dizer que a intensa atividade por parte dos
Vikings suecos no sul e sudeste tinham fins
comerciais.
<<TOPO
Referência
BIBLIOGRÁFICA:
BRØNDSTED,
Johannes. (sd) Os Vikings: História de uma
Fascinante Civilização, tradução de
Mercedes Frigolla & Claudete Agua de Melo,
São Paulo, Hemus Editora.
| Página
criada em 28/02/2003. |
| Última
modificação em 08/06/2004.
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