Islândia
A
tradição conta que dois Vikings
noruegueses e um sueco foram os primeiros a
atingir o solo islandês no século IX. Por
volta de 850, vieram quatrocentos landnámsmenn,
literalmente “ocupantes da terra”, e com
eles toda uma tradição cultural desenvolvida
durante séculos. Eles eram noruegueses, bretões
e algumas famílias de ilhas vizinhas, segundo
fora narrado no livro Landnámabók (O
Livro dos Colonizadores), escrito no século
XIII. Quando da chegada desses, a ilha era
desabitada, exceto por alguns papar – monges
irlandeses – que “rapidamente
desapareceram”, como relata Ari Þorgilsson
innfróði, o sábio, em seu pequeno livro Íslendingabók
(O Livro dos Islandeses), escrito entre 1122 e
1132.
Lembremos
que dois fatores principais contribuíram
imensamente para que a Islândia crescesse
dentro de um sistema social diverso dos demais
conhecidos no resto da Europa: a grande distância
que separava do continente e o fato de se
encontrar naturalmente protegida de invasões
estrangeiras, devido ter sido descoberta e
colonizada por Vikings.
A
ilha foi dividida em fazendas por entre as famílias
dos landnámsmenn, e não tardou para
que estes se encontrassem na necessidade de
estar sob a direção de uma lei comum.
Aparentemente, por iniciativa de uma família
importante, a do Viking Björn buna
Grimsson, foi criada uma assembléia anual, o
Alþingi (o parlamento mais antigo do mundo),
na região de Þingvöllr, onde as novas leis,
denominadas nýmæli, deveriam ser
votadas pelos senhores feudais da ilha,
conhecidos como goðar. Tais leis,
foram promulgadas por um conselho nacional,
conhecido como lögrétta.
Em
930, o Alþingi foi reunido por trinta e seis goðar
para decidir que a Islândia se tornaria
autônoma e que o novo governo descentralizado
seria disposto em quatro regiões distintas: o
quartel sul, o norte, o leste e o oeste.
No
ano 1000, a ilha decidiu finalmente por
tornar-se cristã, em uma sessão do Alþingi
mediada pelo goði da região de Ljösavatn,
Þorgeirr Þorkelsson. Por motivos
parcialmente obscuros, a ilha aceitou a nova
religião passivamente, embora com algumas
exceções de caráter pagão, que foram
abolidas poucos anos mais tarde. Assim como
antes, os goðar, agora cristianizados,
assumiram papéis religiosos em suas
propriedades, erguendo, então, as famosas hægendis
kirkjur (igrejas particulares), onde antes
já haviam levantado templos pagãos. O próprio
Ari, o Sábio, era um desses goðar cristãos.
Em
1055, Ísleifr Gizurarson foi nomeado o
primeiro bispo da Islândia, após ter
estudado na Westphalia e, só então, o
cristianismo da ilha assumiu o caráter padrão
do resto da Europa. Todavia, é sabido que o
bispo não foi muito obedecido durante seus
anos de gestão; embora o cristianismo tenha
sido aceito sem contestação, não podemos
esquecer que muitas das leis tradicionais
permaneceram em vigor, assim como o regime
social da ilha. Isso significa que os goðar,
embora adotando a função de padres em suas hægendis
kirkjur, mantinham secretamente certo
respeito pelos antigos deuses.
Na
evolução natural em direção à estratificação
social, o monopólio do poder acabou por
restringir-se a apenas seis grandes famílias;
isso ocorreu entre 1230 e 1262, na chamada Era
dos Sturlungs. Os goðar, então, começavam
a abandonar suas funções de meros líderes
comunitários, e passaram a assumir papéis
mais significativos; criando assim uma nova
classe social, a dos chamados stórhöfðingar
ou stórgoðar, “grandes líderes”,
que visavam o comando de vastas regiões da
ilha.
DEPOIS
DA CRISTIANIZAÇÃO
O
desenvolvimento posterior do independente
Estado cristão islandês no século XI pode
ser contado resumidamente. A aceitação do
cristianismo aconteceu facilmente como
sabemos, pois o povo o havia escolhido por sua
própria vontade. Pode-se dizer que os santuários
pagãos desapareceram logo e foram substituídos
por igrejas simples construídas com grama. No
século XI a Islândia tinha três
administradores cristãos eminentes de uma única
família; pai, filho e neto. O primeiro desses
era Gizur, o Branco, que estava presente na
reunião decisiva da Alþingi em 1000, quando
o cristianismo foi aceito. Ele enviou seu
filho Isleif para a Germânia para uma educação
eclesiástica, e em 1056 Isleif foi ordenado
pelo bispo Adalbert de Bremen para ser o
primeiro bispo nativo da Islândia, com sede
em Skalholt. Ele morreu em 1080, preocupado
(segundo as lendas) com as múltiplas
dificuldades que envolvem um bispo.
Seu
filho, Gizur, segui-o como bispo (de 1082 até
1118) e mostrou-se bem dotado em sabedoria,
autoridade e persuasão. Evidentemente ele era
um daqueles admiráveis prelados em que forças
física e espiritual e coragem estão
reunidas. Diz-se que durante essa época houve
paz em toda a Islândia; que o povo podia
mover-se de um lado para o outro sem armas, e
tão grande era o prestígio de Gizur que
“todos, jovens e velhos, pobres e ricos,
mulheres e homens, faziam o que o bispo
ordenava.” Esse período de tranqüilidade,
que perdurou não somente durante toda a época
do Bispo Gizur, mas para além do século XI,
não pode ser atribuído inteiramente às
realizações de uns poucos homens.
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É difícil
dizer no que outros fatores ajudaram, pois não
havia, tanto antes como depois, uma ausência
total de problemas. A Constituição da Islândia,
estabelecida em 930 num padrão norueguês,
tinha um parlamento que consistia em assembléia
legislativa presidida pelo porta-voz das leis
e judiciária, dividida em quatro grupos, um
para cada quarto da ilha, suplementada depois
do ano 1000 por um tribunal de apelação,
como já dito. A despeito disso, o país não
havia desfrutado a paz. As autoridades responsáveis
pelas decisões legais não tinham os poderes
para garantir que elas fossem executados.
Assim, durante o século XI ou a partir de 930
o país tinha sido abalado por inimizades
sangrentas entre famílias e rivalidades. Então,
por mais cem anos seguiu-se o período de paz,
e depois disso a luta e o derramamento de
sangue dos séculos XII e XIII. Entretanto, é
hora de deixar a Islândia e falarmos um pouco
a
respeito da mais remota das colônias
escandinavas, a Groenlândia.
Groenlândia
Embora
as fontes nem sempre concordem, diz-se que
Leif, filho de Eric, o Rubro, fez uma visita a
Olaf Tryggvason na Noruega no outono de 999. Lá
ele foi batizado e ordenado pelo rei a
retornar à Groenlândia e imediatamente
pregar e proclamar a fé cristã. Para essa
missão deram-lhe dois assistentes. Leif
aceitou a tarefa sem entusiasmo, e logo
descobriu que seu evangelismo desagradava a
seu pai, que presumivelmente nunca aceitou o
cristianismo. Por outro lado, foi permitido
que sua mãe construísse uma pequena capela
onde ela e os outros convertidos pudessem
reunir-se para orar. Desta forma foi
introduzido o cristianismo na Islândia e
Groenlândia, quase que simultaneamente na
passagem do século XI, apesar de que a Groenlândia
só teve seu próprio bispo no século XII.
ReferênciaS
BIBLIOGRÁFICAS:
BRØNDSTED,
Johannes. (sd) Os Vikings: História de uma
Fascinante Civilização, tradução de
Mercedes Frigolla & Claudete Agua de Melo,
São Paulo, Hemus Editora.
STURLUSON,
Snorri. (1993) Edda em prosa: textos da
Mitologia Nórdica de Snorri Sturluson,
tradução, apresentação e notas de Marcelo
Magalhães Lima, Rio de Janeiro, Numen
Editora. ISBN
85-7260-002-7
| Página
criada em 28/02/2003. |
| Última
modificação em 08/06/2004.
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