Mitologia Germânica ANO II

A Arte Naval dos Vikings  

 

       

Drakkar é a denominação francesa, vinda do latim, aos navios Vikings. As duas principais embarcações escandinavas eram o Langrskip (“navio longo”), para guerra; e o Knörr (“navio mercante”), para fins comerciais e de colonização. Os Vikings eram habilidosos navegadores, mais ousados no oceano do que os anglo-saxãos ou os francos, e tinham embarcações muito melhores. Certamente eles não eram guerreiros marítimos treinados e invencíveis; por mais de uma vez lemos sobre suas derrotas pelas frotas anglo-saxônicas ao longo das costas inglesas. Entretanto, destacavam-se como construtores de navios. Construíam frotas de velozes e espaçosas embarcações, projetadas para o transporte de seus exércitos, e as usavam com velocidade e mobilidade. Foi esta maestria, insuperável na maior parte da Europa, que lhes deu decisivas vantagens em seus ataques em tão grande numero de costas, e os transformou nos “Reis dos Sete Mares”.

O desenvolvimento destas embarcações Vikings pode ser acompanhado desde o período de migração. Algumas das primeiras e relevantes descobertas arqueológicas, como a embarcação encontrada em Nydam, Jutlândia do Sul, na Dinamarca, mostra um bote a remo grande e aberto, sem mastro ou vela, e somente com uma quilha rudimentar. Claro que descobertas arqueológicas são fortuitas, e um simples bote não prova que tais embarcações eram um padrão. Mas outras descobertas, como as pedras pintadas e esculpidas achadas na Gotlândia, ilustram a vagarosa evolução das velas entre os séculos VI e VIII, ou seja, a partir de um pequeno e não muito útil retalho de pano colocado no alto do mastro, até as magníficas velas das embarcações Vikings. Simultaneamente, outros desenvolvimentos, particularmente o da quilha, transformaram o bote num navio.

      

  

É estranho que a vela tenha demorado tanto para aparecer no Norte, uma vez que ela era conhecida desde tempos imemoriais por gregos e romanos no Mediterrâneo. Através de fontes literárias nós sabemos também que a vela apareceu na Holanda no século I d.C., pois Tacitus conta do chefe batavo, Civilis, que, durante uma revista à sua frota no ano de 70, imitou o costume romano, permitindo que seus homens usassem sues mantos coloridos como velas. César, de fato, registra que, por volta de um século antes, os vênetos, tribo de navegadores da costa atlântica francesa, usavam velas de couro grosso. Sidenius Apollinaris, bispo de Clermont em 470, descreve os saxões  retornando ao lar com “panos inchados”. Parece estranho, então, que as velas tenham levado tanto tempo para alcançar a Escandinávia, mais estranho ainda ter demorado ainda mais para chegar à Inglaterra. Por volta de 560, o historiador bizantino Procópio escreveu a respeito dos ingleses: “Estes bárbaros não usam velas, mas dependem totalmente dos remos.” Uma afirmação que parece confirmar totalmente o navio real de meados do século VII, sem mastro nem vela, encontrado em Sutton Hoo na Ânglia Oriental.

Pode-se dizer certamente que os anglo-saxãos, os francos e os irlandeses não podiam competir com os Vikings na náutica ou navegação. É significativo que nenhum desses povos tenham se lançado a ataques de represália aos países Vikings. Esta supremacia no mar explica que os Vikings foram capazes de assolar e conquistar tão vastas áreas da Europa Ocidental, embora não explique a penetração na Europa Oriental, onde não havia oceano para ostentar sua supremacia, mas onde, apesar disso, foram bem sucedidos.

 

OS  TRÊS NAVIOS DO FIORDE OSLO

 

 

O navio é a suprema realização de sua habilidade técnica, o ponto mais alto de sua cultura material; foi o ponto fundamental de seu poder, de seu prazer e de sua posse mais valiosa. O que o templo representou para os gregos, o navio representou para os Vikings: a completa e harmoniosa expressão de uma habilidade rara. Se o navio negro deslizando pacificamente longe da terra ou, como uma “cabra marinha” chifrando as ondas com suas hastes, ele foi sempre a criação favorita dos Vikings, feito por suas mãos habilidosas e afetuosamente lembrado em sua poesia. É natural que a Noruega em particular tenha preservado várias amostras de navios da Era Viking, uma vez que, por causa de sua extensa costa, os noruegueses conheciam o mar mais do que qualquer outro povo. Um poeta islândes do período Viking, Egil Skallagrimsson, chamou as ondas que batem contra o penhasco da rochosa costa norueguesa de “cinturão de ilhas em torno da Noruega”. Lá, na orla marítima, três grandes diques foram construídos nos tempos Vikings, em cada um deles um navio Viking foi guardado para a posteridade. Os três navios foram encontrados no fiorde Oslo: em Tune, no lado oriental, em Gokstad e em Oseberg, no lado ocidental. Os três navios podem ser vistos hoje no Museu do Navio Viking em Bygdö nos arredores de Oslo. Clicando nos links abaixo saiba mais sobre cada um deles.

      

     

O NAVIO DE TUNE
   
O NAVIO DE GOKSTAD
  
O NAVIO DE OSEBERG

     

CONCLUSÃO

 

Visto através da perspectiva náutica européia, o navio Viking representa a conclusão mais do que o início de um processo evolutivo. Marca o final de séculos de desenvolvimento de barcos a remo construídos de pranchas sobrepostas e seguras com pregos revirados, que gradualmente se transformaram em navios equipados com quilha, mastro e vela. Por todo o período Viking, esse “navio comprido” tornou-se constantemente maior. Os maiores navios de Cnut, o Grande, eram provavelmente duas vezes maiores do que o navio de Gokstad, mas eles permaneceram o mesmo em princípio –- navios destinados tanto a batalhas quanto para o comércio. A tapeçaria de Bayeux, cuja data coincide com o último período Viking, mostra o mesmo tipo de navio em sua para todas as finalidades. Com o final do período, essa unidade de função cessa e dois tipos distintos de navios são desenvolvidos: um construído para velocidade e mobilidade em batalha, e outro com capacidade para o comércio; um para a guerra e outro para a paz.

       

   

<<COLÔNIAS ARMAS>>

   

 

Referência BIBLIOGRÁFICA:

 

BRØNDSTED, Johannes. (sd) Os Vikings: História de uma Fascinante Civilização, tradução de Mercedes Frigolla & Claudete Agua de Melo, São Paulo, Hemus Editora.

   

   

Página criada em 28/02/2003.  
Última modificação em 08/06/2004. 

 

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