Os
Vikings
A partir do século VIII, se estendendo até
os séculos XI e XII, a Europa viu o
surgimento e domínio de um povo vindo do
Norte, os Vikings. Os primeiros relatos que
existem desses homens são através dos
povos cristãos da Europa, os
Vikings eram então vistos como flagelos
resultantes de presságios de dragões e
outros sinais, como relatado no Anglo-Saxon
Chronicle
(Crônica Anglo-Saxônica).
A palavra Viking, genericamente dado aos povos
escandinavos, os nórdicos, e que na verdade era
como esses povos chamavam
seus guerreiros marítimos, mas essa
denominação vulgarizou, e mesmo entre os
acadêmicos é usada para designar este povo
de uma forma geral.
Sobre os Vikings, é necessário esclarecer
que não se tratavam somente de meros piratas
bárbaros e impiedosos, como o leitor pode, a
princípio, visualizá-los. E eles nunca usaram capacetes com chifres,
pelo menos para guerrear, como é visto nas artes figurativas
contemporâneas, talvez os Goðs
("chefes") ou sacerdotes usassem em
rituais religiosos tais ornamentos, mas nem
isso foi comprovado pela arqueologia. É óbvio que a
pirataria foi parte integrante de suas ações
nos mares europeus por três séculos, mas
suas qualidades comerciais, seu ímpeto
colonizador e o legado deixado por eles, não
devem ser de modo algum posto em segundo
plano.
As proezas dos Vikings eram de grandiosa
escala. Eles abrangeram toda a Europa. No
leste estes homens do Norte desceram os grande
rios da Rússia em direção ao Cáspio e ao
mar Negro. No oeste, navegaram ao longo das
costas atlânticas, passaram pela Espanha
árabe através do estreito de Gibraltar, e
foram tão longe de modo a alcançar o
Mediterrâneo. Isso não foi tudo;
atravessaram o selvagem e desconhecido
Atlântico até alcançarem Feroé, Islândia,
Groenlândia e também a América. A direção
de cada uma das áreas de terras escandinavas
correspondentes, ou melhor, determina a esfera
de influência que seus Vikings dominavam
(vide rotas no mapa: em branco os noruegueses,
em vermelho os suecos e em amarelo os
dinamarqueses).
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É preciso examinar os séculos de história
precedentes à era Viking. As terras do
último Império Romano, ou România, como era
chamado no século IV, formavam uma unidade
que cercava o Mediterrâneo não dividia
países, mas os unia, e formavam a rota ao “longo
da qual navegavam a religião, a filosofia e o
comércio”. Os cultos do antigo Egito e do
Oriente estenderam-se sobre ele, a adoração
dos Mitos, do cristianismo, e, mais tarde, do
monasticismo.
Os
Germanos
Dirigindo
nossos olhos para os povos que viviam nas
fronteiras do Império Romano, as tribos germânicas
não escandinavas, e
que por isso sabe-se um pouco mais de seu
passado distante, diferentemente dos povos nórdicos,
com os quais os romanos não tiveram contato.
As
primeiras fontes de informação relevantes
sobre os antigos povos germânicos podem ser
encontradas em dois textos romanos principais:
Bellum Germanicum (As Guerras Germânicas)
atribuído a Julius Cæsar (100 – 44 a.C.) e
Germania (A Germânia) do historiador
Tacitus (55 – 120 d.C.). esses textos nos
legaram valiosas informações concernentes ao
modo de vida, às artes, à guerra e,
inclusive, aos valores religiosos daqueles que
habitavam desde o extremo norte da Europa
continental (exceto a Escandinávia) até os
limites setentrionais do Império Romano, à
margem sul do Danúbio.
A
considerável falta de contato com outras
culturas manteve incólumes as características
religiosas desses povos por séculos, as
quais, somente no século V, quando da migração
bárbara e da queda de Roma, tornaram-se
razoavelmente conhecidas no resto do
continente. Nessa época, a cultura do sul da
Europa era insuperável e a fragilidade dos
valores germânicos impediu que estes lá se
introduzissem; ocorreu, entretanto, uma absorção
dos valores greco-romanos por parte dos
invasores bárbaros.
Anteriormente,
por volta do século II, surgiram os primeiros
vestígios da criação de um alfabeto germânico
próprio, conhecido como alfabeto rúnico
fuþark. Acreditava-se que as inscrições rúnicas possuíam como
objetivo transmitir informações básicas,
como epitáfios ou títulos de propriedade, e
não narrativas históricas de maior
complexidade ou valor literário. Mas a
maioria das recentes pesquisas runológicas apontam várias
runestones portando desde
poemas skáldicos, trechos mitológicos, sagas
heróicas, e até eventos históricos.
Mas
de qualquer forma, a antiga religião politeísta dos
germanos teve que difundir-se oralmente,
atingindo em certa medida o norte distante
desenvolvendo-se paralelamente de modo
particular, por isso não é raro observarmos
um deus nórdico ser cultuado em uma
determinada região e entre os germanos,
ser-lhe atribuída uma importância secundária
(como por exemplo o caso dos deuses Loki e
Njörðr
(Niord),
muito conhecidos na Escandinávia, mas não
entre as outras tribos germânicas).
Os
Indo-Europeus
Os escandinavos fazem parte de um vasto
conjunto de povos designados com o nome
convencional de indo-europeus. Estes, ao que
parece, se localizavam, desde o quarto
milênio (a.C.), ao norte do Mar Negro, entre
os Cárpatos e o Cáucaso, sem jamais,
todavia, terem formado uma unidade sólida,
uma raça, um império organizado e nem mesmo
uma civilização material comum. Talvez tenha
existido, isto sim, uma certa unidade
lingüística e uma unidade religiosa. Pois
bem, essa frágil unidade, mal alicerçada num
“aglomerado de povos”, rompeu-se, lá pelo
terceiro milênio (a.C.), iniciou-se, então,
uma série de migrações, que fragmentou os
indo-europeus em vários grupos
lingüísticos, tomando uns a direção da
Ásia (armênio, indo-iraniano, tocariano,
hitita), permanecendo os demais na Europa (balto,
eslavo, albanês, celta, itálico, grego,
germânico).
A partir dessa dispersão, cada
grupo evoluiu independentemente e, como se
tratavam de povos nômades, os movimentos
migratórios se fizeram no tempo e no espaço,
durante séculos e até milênios, não só em
relação aos diversos “grupos” entre si,
mas também dentro de um mesmo “grupo”.
Assim, se as primeiras migrações
indo-européias (indo-iranianos, hititas,
itálicos, gregos) estão séculos distantes
das últimas (baltos, eslavos, germânicos...),
dentro de um mesmo grupo as migrações se
fizeram por etapas. Desse modo o grupo
itálico, quando atingiu a atual Itália, já estava
fragmentado, “dialetado”, em latinos,
oscos e umbros, distantes séculos uns dos
outros, em relação a chegada em seu habitat
comum.
Assim os ancestrais dos Vikings fazem parte do
grupo dos germânicos, que estão entre os
últimos a chegarem em seus habitats no
centro da Europa, atingindo o atual
território da Alemanha em c.1000 a.C., depois
que ali já estivera os celtas, outro grupo de
indo-europeus que no entanto estão entre os
primeiros a migrarem para estas regiões.
Dessa região alguns migraram para o Norte,
estes são os escandinavos, um sub-grupo dos
germânicos.
Os
Megalíticos
Existem evidencias do Homo-Sapiens (Neanderthal)
no continente europeu através de escavações
feitas principalmente na França, Alemanha e
Espanha datadas do período Paleolítico
(1.000.000 -175.000 anos antes do presente)
onde foram encontrados alguns fósseis. Há
35.000 anos antes do presente, outro grupo
mais evoluído de Homo-Sapiens, os chamados
homens de Cro-Magnon, chegam à Europa, vindos
do Oriente Médio, e suplantaram os homens de
Neanderthal. Os Cro-Magnon eram autênticos
homens modernos de aparência idêntica aos
europeus de hoje.
Depois do quarto período glacial no
Mesolítico (10.000 - 8.000 a.C.), começa a
sedentarização do homem pré-histórico, que
é concluída no Neolítico (8.000 - 5.000
a.C.), os primeiros aglomerados humanos com
mais de 5.000 habitantes surgem neste período
na parte meridional da Europa, nas margens do
Mar Mediterrâneo, são estas, talvez, os
embriões das primeiras cidades.
Aqueles
que habitaram a porção central e norte do
continente europeu, e que são acentrais
dos povos germânicos, entre outros, deixaram suas marcas
através de seus "túmulos", os
megalíticos, monumentos de pedra encontrados
em grande número nessas regiões de forma
mais ou menos proporcional geograficamente. O
famoso monumento
Stonehenge
localizado na Inglaterra, e por muito
tempo atribuída aos celtas, e supostamente usado
nos rituais dos druidas, na verdade é um monumento
megalítico, ou seja, suas origens são muito
mais remotas que as migrações dos
indo-europeus.
Essa
pedras pesavam mais de três toneladas, fato
que requeria o trabalho de muitos homens e o
conhecimento da alavanca. Os megalíticos
podem ser classificados de: dólmens,
galerias cobertas que possibilitavam o acesso
a uma tumba; menires, que são grandes
pedras cravadas no chão de forma vertical; e
os cromlech, que são menires e dólmens
organizados em círculo, sendo o mais famoso o
já mencionado Stonehenge, na Inglaterra. Também
encontramos importantes monumentos megalíticos
na Ilha de Malta e Carnac na Bretanha (França).
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São Paulo, Hemus Editora.
GRANDE
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_______
(sd)
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(sd)
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STURLUSON,
Snorri. (1993) Edda em prosa: textos da
Mitologia Nórdica de Snorri Sturluson,
tradução, apresentação e notas de Marcelo
Magalhães Lima, Rio de Janeiro, Numen
Editora. ISBN
85-7260-002-7
| Página
criada em 28/02/2003. |
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modificação em 01/06/2004.
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